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Marco Tulio Michalick

A expressão déjà vu é de origem francesa e pode ser traduzida como “já visto”. Como já ter estado em um determinado lugar ou já ter vivido certa situação presente, quando na realidade isto não era de conhecimento anterior. Em alguns casos ocorre a habilidade de predizer os eventos que acontecerão em seguida, o que é denominado premonição. Outras vezes, a pessoa pode determinar o tempo exato e o local onde a experiência original ocorreu.

Quando pensamos já ter visto um filme, lido um livro, conhecido uma pessoa, estado em um lugar sem nunca ter ido neste local, ficamos confusos, com dúvida, e temos a sensação de uma experiência déjà vu. Porém o déjà vu clássico nos dá a sensação de estranheza, de estarmos vivenciando uma experiência do passado.

Hans Holzer, em seu livro Vida Além Vida, descreve o seguinte: “A maioria dessas experiências déjà vu pode ser explicada com base na precognição. Uma experiência é prevista e não é registrada na hora. Mais tarde, quando a experiência se torna uma realidade objetiva e a pessoa passa por ela, de repente lembra-se ‘em um piscar de olhos’ que já a conhecia. Em outras palavras, a maioria das experiências déjà vu nada mais é do que incidentes precógnitos esquecidos. Contudo, existe uma pequena parte dessas experiências que não pode ser explicada dessa maneira. Entre elas está em ir a uma cidade ou a uma casa pela primeira vez e prever com exatidão como é a casa ou a cidade – a ponto até de conhecer os cômodos, os móveis, a disposição de objetos e outros detalhes que está muito além do âmbito da precognição normal. (…) Em geral, as experiências precógnitas são parciais e enfatizam certos pontos notáveis, talvez alguns detalhes, mas nunca todo o quadro. Quando o número de detalhes lembrado, torna-se muito grande, temos que desconfiar sempre de que se trata de lembranças de uma encarnação passada”.

Os psicólogos e psiquiatras explicam que o sistema de memória temporal – que nos informa a idade, a data dos acontecimentos memorizados – sofre um lapso e nos informa como se fosse antiga uma memória que na verdade foi armazenado centésimos de segundos antes. Ou seja, você tem a sensação de já ter estado em um lugar, e já esteve mesmo, mas dois centésimos de segundos atrás, e fica achando que foi ontem ou há uma semana ou até anos.

Em 1955, Wilder Penfield fez uma experiência em que estimulava eletricamente lóbulos temporais, encontrando um bom número de experiências de déjà vu. As estatísticas mostram que cerca de 30% da população já teve alguma experiência déjà vu. Porém, este fenômeno ocorre com mais freqüência em indivíduos com distúrbios neuropatológicos, como a esquizofrenia e a epilepsia. Há também uma predisposição maior por fatores não patológicos, como fadiga, estresse, traumas emocionais, excesso de álcool e drogas.

É um assunto muito interessante considerada a forma como o fenômeno se processa. Há diversas teorias sobre esse fenômeno, como a psicodinâmica, reencarnação e sonhos, ilusão epiléptica, holografia, distorção do senso de tempo e transferência entre hemisférios cerebrais. Na psicodinâmica, Freud dizia que o déjà vu resultava da lembrança de desejos inconscientes ou fantasias do passado que eram ativadas pela situação presente. Também o déjà vu poderia ser uma autodefesa, ou seja, nosso inconsciente processava a informação que aquilo já havia acontecido, por isto, não devia temer, pois já havia passado por aquela experiência anteriormente. Essa teoria não explica os casos de premonição, nem de lembranças de datas e locais onde ocorreram eventos no passado e que ninguém conhecia. Nas teorias que associam o déjà vu a sonhos ou desdobramento do Espírito, onde o Espírito teria realmente vivido estes fatos, livre do corpo, surgiriam as lembranças de encarnações passadas, o que levaria à rememoração na encarnação presente.

Na ilusão epiléptica, há a teoria do dr. John Jackson, que associa o déjà vu a um sintoma de epilepsia psicomotora, devido à grande incidência de casos de “déjà senti” entre os pacientes epilépticos.

A holografia seria a memória que pode ser armazenada no cérebro como holograma tridimensional, em que pequenas partes de uma figura podem ser utilizadas para reconstruir o todo. Segundo essa teoria, o déjà vu ocorreria quando uma peça de um holograma presente fosse coincidente com outra peça de um holograma no passado. Ou seja, você vê uma foto de uma determinada cidade; tempos depois, você esquece estas imagens e as deixa armazenadas na memória como um holograma. Algum dia, quando você visitar essa cidade da foto, poderá ocorrer um déjà vu, por você se sentir familiarizado com as imagens, sem no tanto, recordar-se de onde elas vêm.

A distorção do senso de tempo é quando sem ter entrado ainda no estado de consciência, percebemos a situação ao nosso redor. Dessa forma, o tempo parece ser maior do que o normal. Quando entramos no estado de consciência, a situação que já havíamos percebido no estado inconsciente parece-nos uma lembrança do passado. A transferência entre hemisférios cerebrais significa a transferência de informações entre os dois hemisférios do cérebro, que normalmente ocorre em alguns milésimos de segundos. Porém, se esse tempo aumentar para cerca de um minuto, o hemisfério não dominante receberá a informação duas vezes, sendo uma diretamente e outra do outro hemisfério. Dessa forma, ele terá a sensação que os eventos presentes já aconteceram no passado.

Há carências de publicações e depoimentos sobre este assunto. Um rapaz descreveu sua experiência déjà vu na internet, num site renomado. Ele conta que no passado já sofreu catalepsia e teve muito déjà vu, que duravam desde dois a quinze minutos. Ele diz que em uma determinada época de sua vida teve que sair do Brasil e foi trabalhar em um posto de gasolina em Portugal. Um dia chegou um caminhão para abastecer. Enquanto ele se dirigia até o cliente, ativou-se espontaneamente um dèjá vu. Ele sabia que era um processo bioquímico e estava convencido de que aquela cena já tinha acontecido. Ele também podia pensar que a única coisa que não tinha acontecido era justamente ele saber que era um déjà vu. Então, em frações de segundos, pensou: “ora, aqui estou eu mais uma vez com esta ‘coisa’. Vou aproveitar para fazer um teste: se o déjà vu for informação somente do passado que está sendo processada por vias não convencionais, eu não serei capaz de adivinhar a quantidade de óleo diesel que o cliente vai desejar”. Após ter esse pensamento extremamente rápido, aquela própria sensação de que tudo aquilo já tinha acontecido, modificou-se e passou a incluir também a sensação de que o cliente iria querer 2.000 escudos de combustível. Lembrou-se, enquanto se aproximava do caminhão, de que aquela quantidade era muito improvável, devido ele já estar acostumado a abastecer no mínimo 5.000 escudos para aquele tipo de veículo pesado. Foi tudo muito rápido e o cliente pediu 2.000 escudos. A sensação de déjà vu continuou, com a idéia de que aquilo já tinha acontecido, com exceção de sua operação mental discursiva; ele sabia que aquilo era um déjà vu e ele tinha livre arbítrio para alterar, seja para confirmar ou para prever o evento seguinte. Ele comenta que seu acontecimento poderia ser interpretado de forma diferente por um terceiro observador porque poderiam argumentar de que houve uma adivinhação, porém, antes de atender o cliente, ele digitou os 2.000 escudos na máquina de combustível, de forma que isto não poderia ser interpretado mais como uma simples operação mental inversa, devido ao fato de que o evento real se concretizou no devir de outras pessoas sem estado de déjà vu.

Como achei interessante seu depoimento, pedi, via e-mail, mais explicações. Essa pessoa me respondeu o seguinte: “um aspecto importante que gostaria de observar é que por muito tempo estive atento à percepção desta ocorrência o suficiente para poder discriminar quando há somente um déjà vu e quando ocorre a possibilidade de adivinhação concreta em torno de eventos particulares. Isto é, quando o déjà vu ocorre há em minha consciência um ‘discurso livre’ cujas operações mentais permitem inferências antecipadas sobre eventos futuros. Por outras palavras, naquele estado há um discernimento concreto do que é a sensação imediata do ‘já visto’ e do que é pensamento on-line sobre qual evento vai efetivamente ocorrer no futuro independente do déjà vu”.

Relatos interessantes são encontrados sobre esse fenômeno. Isso não quer dizer que todas as respostas serão encontradas, mas poderão ter uma visão mais ampla do fenômeno e analisar com mais precisão as teorias defendidas nesta experiência específica.

Voltemos ao livro de Hans Holzer, numa história em que ele descreve a experiência déjà vu de um soldado: “durante a Segunda Guerra Mundial, um soldado se viu na Bélgica. Enquanto seus companheiros se perguntavam como entrar em determinada casa em uma cidadezinha daquele país, ele lhes mostrou o caminho e subiu a escada à frente deles, explicando, enquanto subia, onde ficava cada cômodo. Quando, depois disso, lhe perguntaram se havia estado ali antes, ele negou, dizendo que nunca havia deixado seu lar nos Estados Unidos, e estava dizendo a verdade. Não conseguia explicar como, de repente, se vira dotado de um conhecimento que não possuía em condições normais”.

Devemos ter cuidado para que uma ilusão não se confunda com uma experiência déjà vu. O termo déjà vu se tornou popular dando amplo sentido a tudo que nos parece familiar. A experiência déjà vu é muito profunda e o sentimento é de estranheza. Devem ser separadas, as teorias de reencarnação, sonhos ou desdobramentos, das teorias de desejos inconscientes, fantasias do passado, mecanismo de autodefesa, ilusão epiléptica, entre outras, para melhor discernimento do que realmente é um déjà vu e o que é apenas uma ilusão de nossa imaginação fértil.

Publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição nº 35, ano 2005.

Emmanuel

Entre os numerosos problemas doutrinários do Espiritismo, no momento que passa, temos, como dos mais importantes, o da unificação dos métodos da pratica espiritista, em suas relações com o Plano Invisível, em cuja heterogeneidade surgem, por vezes, extravagâncias numerosas, freqüentemente sugeridas pelos inimigos da verdade, adversários ferrenhos de todas as expressões do progresso espiritual da humanidade sofredora.

É certo que as interpretações doutrinarias terão de obedecer à posição evolutiva de cada um, no desdobramento da idéia livre, preconizada pela consoladora doutrina dos Espíritos, sob a égide do Mestre, Senhor da semeadura e da seara, na evolução terrestre, mas urge a articulação de um amplo movimento dos estudiosos, convictos da excelência de sua fé, no que se refere à ação doutrinaria, na renovação do homem, para o progresso da célula social, na coletividade e na família.

Destinado às mais sublimes tarefas na sociedade moderna, no sentido de se processar a revolução moral do intimo dos corações, o Espiritismo necessita do concurso de seus trabalhadores operosos e dedicados, no serviço de restauração da crença pura com o Evangelho de Jesus.

Os operários legítimos do Senhor quase desapareceram da Terra, quando os cristãos transformados em católicos romanos, iniciaram os seus esforços políticos, de ordem terrena, terminados com a organização das basílicas suntuosas e frias…

A grande missão do Espiritismo, à luz dos princípios evangélicos, é a espiritualização de tudo que é humano; restabelecendo-se a antiga direção dos crentes sinceros para aquele reino de graças que ainda não é deste mundo!…

Eis, desta forma, a razão das necessidades imperiosas do momento, em todos os núcleos de estudos da Doutrina, no sentido de se reunirem todas as suas expressões fenomênicas, sob a bússola das ilações de ordem moral e religiosa, em caminho da razão, esclarecida pela fé poderosa e indestrutível.

A revolução espiritual dos novos crentes, na intimidade de si mesmos, dentro do luminoso santuário da consciência e do coração, é a grande questão do momento.

E para esse desideratum precisa-se, antes de tudo, do esforço de cada um, na oficina do estudo e do trabalho, bases do amor.

Sem a humildade não já progresso possível.

Sem a tolerância, toda a realização do bem é impraticável. E sem o amor, não há caminho que conduza a alma para a fonte de todas as inspirações da Verdade, que é Jesus.

O Espiritismo é a grande oficina.

Somos os obreiros humildes desse grande labor, mas a obra jamais se concretizará se não nos unirmos pelo sentimento e pelo esforço, em Jesus Cristo.

Fonte:- Luz no Caminho– Psicografia de Francisco Candido Xavier.


“Se alguém te fere, desculpa e esquece. Nunca te vingues, porque ao ofensor basta viver para que se corrija e se reconheça”. Emmanuel


Autor Cornélio Pires / Médium Francisco Cândido Xavier
“O triângulo afetivo, nunca se forma a contento, e,
termina, sempre, na vida, em trio de sofrimento”

Todos nós vivemos em uma sociedade organizada, sujeita a regras de procedimento, úteis e necessárias para facilitar a vida e permitir a coexistência agradável. São as NORMAS de conduta. Por serem havidas como indispensáveis, são ensinadas desde a infância e acabam absorvidas e interiorizadas para nortear o comportamento civilizado. De outro lado existem os IMPULSOS naturais, os instintos do ser humano, tais como a agressividade, a sexualidade, etc, que não conhecem, não aceitam e nem seguem normas.

Diante de uma situação antagônica o homem entra em conflito. Faz parte de sua essência viver dividido entre as normas e os impulsos, sendo muita ilusão pensar que só será feliz quando seus conflitos terminarem. Precisa é saber administrá-los e isso não consegue sem conhecimento e exercitamento, coisa que não faz sem ajuda.

Um dos problemas mais importantes no desajustamento comum do homem é que ele encara de forma patológica um impulso que é normal. Exemplo constante é o da agressividade que a cultura ensinou tratar-se de algo ruim, mas este impulso, que tem a finalidade de mobilizar o ser paralisado pelo medo, existe em nós para ajudar a estabelecer limites e para defender. Há necessidade de requalificá-lo, pois ele é apenas neutro. Seu resultado é que pode ser mau ou bom.

Com o impulso sexual é a mesma coisa, é neutro, podendo apresentar resultados bons e maus conforme a direção que lhe é imprimida. Conquanto já tenha tido uma boa requalificação em várias partes do mundo civilizado, ainda padece de má interpretação nos países de terceiro mundo onde é visto de três diferentes maneiras:

1) Emoção de segunda classe, um mal, portanto, mas necessário considerando a reprodução. O normal e correto é reprimi-lo.

2) Diferenciação entre mulher e homem, estabelecendo normas masculinas e normas femininas. Claro que a moral vigente diz que, em termos de direitos, homens e mulheres são iguais. Mas, os homens são muito mais iguais! Deles se espera uma vida sexual intensa e precoce, que começa aos doze, treze anos. Se não acontece nesta idade, a família fica ansiosíssima com a possibilidade de o garoto vir a tornar-se homossexual, pelo que, passam a tomar várias providências de provocação. E o que se espera da mulher? Que fique virgem e casta até o casamento e ai da moça que faz o contrário… Ela tem de ser assexuada até o casamento e, então, transformar-se numa messalina. Nesse contexto se tem um rapaz que aprendeu a não ter sexo com a pessoa que ama e uma garota que não aprendeu a ter sexo de jeito nenhum. Benze-se as alianças e jogam os dois numa aventura chamada lua-de-mel. Eles vão ter, a duras penas, de aprender a praticar uma ação altamente emocional, buscando o prazer a que ambos têm direito. Não pode dar certo.

3) Sexo tabu, ninguém pode falar, é vergonhoso, é proibido. O aprendizado é feito na rua, de modo errado e perverso. Talvez, um dia, alguém ensine alguma coisa porque a escola também não ensina. Com as moças é pior ainda. Um dia, talvez, uma tia tenha uma conversa com ela, na véspera do casamento, talvez…

Mas, as coisas já mudaram em várias partes do mundo e estão mudando por aqui. O que houve? Por que mudou? Não foi porque a humanidade tenha amadurecido ou adiantado espiritualmente. Mudou por uma razão econômica. Mudou porque aconteceu uma coisa chamada Revolução Industrial! Mas este é outro assunto.

Uma das características do impulso sexual é o fato de que requer novidade. Significa que, após algum tempo de vida sexual, tanto o homem quanto a mulher podem começar a sentir atração por pessoas diferentes de seu par. É natural do instinto e, portanto, não é patológico. Não pode e não deve ser mal avaliado. É como alguém que resolve fazer regime por motivo de saúde ou por estética. A decisão de entrar na dieta não anula a fome, não faz com que a pessoa não sinta vontade de comer.

Da mesma forma a fidelidade conjugal não anula o desejo por outrem. Acontece que em nossa cultura os casais fazem um contrato de fidelidade, não por escrito e nem, ao menos, verbalizado, mas elaboram uma expectativa de ambos que sejam fiéis, isto é, sexualmente exclusivos.

Mas, ao cumprirem o contrato frustram o instinto e entram em conflito. Por que, então, persiste a fidelidade? Pelas compensações que existem: – o prazer de ver o outro feliz; – o prazer de estar de acordo com os próprios princípios; – a fidelidade que recebe em troca; – a sensação de estar construindo um vínculo sólido e prazeroso; – a suposição de estar de acordo e agradando os bons espíritos assistentes, etc.

Mas, com tudo isso, ainda vão sentir desejo extraconjugal. E, se não se inculpam pela fome durante um regime, também não devem censurar-se por causa do desejo. Fidelidade não é obrigação, é escolha. Pode ser a causa de muita satisfação, mas também pode produzir muita frustração.Um autor comparou, pitorescamente, a fidelidade a algo menos estimulante do que uma salada de chuchu temperada com água.

No Brasil a prática sexual tem sido feita dos dois modos possíveis, o legal e o ilegal ou dentro do casamento, com a aprovação e beneplácito de todos ou fora dele, com a desaprovação, a censura e a condenação geral. Este sistema facilita a entronização da hipocrisia, pois, os mesmos que condenam são, muitas vezes, os próprios participantes ocultos da infração.

O adultério pode ser definido, segundo Millôr Fernandes, como a quebra do contrato vitalício, civil ou religioso, com substituição de sócio, sem aviso prévio. Além de curiosa essa interpretação é bem verdadeira. Haveria apenas uma pequena restrição à substituição de sócio. O que mais se vê não é isso e, sim, uma variante de utilização de sócio.

Eu próprio costumo conceituar o adultério como uma quebra do contrato de exclusividade sexual, porque o sócio indisciplinado, quando não descoberto, continua atuando na empresa como se nada houvesse ocorrido de anormal.

Quando descoberto e penalizado, costuma adotar vários tipos de medidas defensivas: – defesa com negação absoluta e acusação de excesso de desconfiança; defesa sem negação da ocorrência, mas com denúncia de insuficiência, defeito ou problema por parte do outro sócio; defesa com aceitação da crítica e auto-acusação de desvalor e inferioridade; defesa com acusação de que o casamento acabou e que é melhor a separação.

Na verdade, o que o parceiro lesado pretende não é exatamente punir o culpado mas, constantemente, é conseguir uma garantia de que aquilo nunca mais irá acontecer. Quase todas as mulheres, quando nesta situação, são capazes de perdoar e deixar o problema no esquecimento, se puderem ter certeza de encerramento do episódio. Já os homens, auto-havidos como machões, cultivadores de grande orgulho sexual, não conseguem pensar assim e, freqüentemente, partem para uma retaliação, punindo a mulher com agressão física ou com humilhações mil, quando não com uma separação ou até com assassinato.

Comparando estes dos casos e adotando aquela tese espírita de que “quem pode mais cede mais”, podemos concluir sobre que é mais adiantado espiritualmente.

É importante considerar que o adultério masculino é muito mais freqüente do que o feminino, talvez até, por uma questão cultural. Desde criança o menino é criado com a idéia de que há uma grande honra em ser macho, agressor, violentador. A conquista para ele é como um troféu – quanto mais difícil, quanto mais proibida e quanto mais numerosa, mais valiosa e admirada. Com isso em mente, desde a infância, o pobre do adulto não poderá, depois, ser tão inculpado, quando praticar um acontecimento para o qual foi tão bem preparado.

Já com a menina é diferente: desde a infância ela recebeu uma instrução para ser virtuosa, honesta. Daí conseguir, diante de uma tentação, ter mais resistência. Isso é falado sem negar-se o valor real do indivíduo espiritual cujo sexo é apenas uma circunstância reencarnatória, considerando que esta virtuosa mulher, de hoje, pode ter sido homem na última existência.

Um dos temas preferidos para justificar-se uma atração fora do casamento é o de se haver encontrado a alma gêmea – uma pessoa de subido valor, alguém de que se estava na expectativa desde a juventude e que já se pensava não existir mais. Seria o afeto idealizado que cada pessoa, normalmente, constrói na existência. Os menos informados em Doutrina Espírita dizem que esta pessoa é a sua alma gêmea ou sua metade eterna e que ambos se estavam buscando com empenho e persistência até se encontrarem e que, daí para frente, seguiriam juntos para todo o sempre, completando-se infinitamente. Em O Livro dos Espíritos Kardec já recusa esta idéia e coloca por terra a tese das almas gêmeas. O que pode ser admitido é que, com o crescimento espiritual as pessoas vão construindo as suas afinidades e ampliando sua capacidade de amar. Na condição de espírito superior teremos as entidades se comportando com tanta afeição e aperfeiçoamento que podem ser tidas como verdadeiras almas gêmeas, irmanadas e felizes na compostura de suas ações benfeitoras.

Na realidade evolutiva de nosso planeta não encontraremos afeições muito profundas que possam sequer lembrar as almas gêmeas. Existe, sim, uma afeição do passado que, constantemente, costuma aparecer no caminho, podendo gerar dificuldades, considerando a nossa baixa resistência à tentação. A este respeito o espírito Cornélio Pires, no livro Retratos da Vida, lança uma série de avisos provisores: “Se uma afeição de outras vidas / Vem, de novo, ao nosso olhar, / A situação em que esteja / É uma lei a respeitar.” – “Se você gosta de alguém, / Mas já não está sozinho, / Cultive o amor dos irmãos, / Não complique o seu caminho.” – “Em toda parte do mundo, / Se a mulher larga o dever, / Deserções, crimes, suicídios, / São fáceis de aparecer.” – “O triângulo afetivo / Nunca se forma a contento, E, termina, sempre, na vida, / Em trio de sofrimento” – “Cumpra o dever que abraçou, / Alegre, calmo, sereno, / Pois, sexo com remorso / É melado com veneno.” – “Recorde o antigo ditado, / De valor singelo e raro, / Quem a paca cara compra / Pagará a paca caro.”

O que se divulga e se defende no Espiritismo é que a pessoa saiba, correta e conscientemente, o que está fazendo com a sua vida. Se souber, tudo bem, pode continuar, seu débito é conhecido e assumido. Não poderá alegar, depois, nenhuma ignorância. Mas, se não estiver bem certa do que faz, será bom aprender.

Falando pela maioria, as pessoas não suportam o adultério e procuram sempre tomar providências punitivas. Só que estas são, constantemente, estapafúrdias e contraproducentes. O que mais conseguem com o revide é lançar o seu cônjuge nos braços de outra pessoa. Seria muito importante, pela própria economia de dor e de saúde, que estes cônjuges soubessem agir com acerto e acreditassem que poderiam conseguir melhor resultado usando um outro procedimento – a tolerância evangélica, lembrar que um erro não justifica outro e, então, deixar o engano havido inteiramente com a outra pessoa.

Nós não precisamos sofrer porque alguém quis nos abandonar. Afinal, todos têm o direito de fazes suas escolhas, mesmo que estas não recaiam sobre nós.

Pensando bem, só nos pode interessar um amor que nos seja dado espontaneamente e, nunca, um obrigatório. Aprendamos a abençoar e deixemos o afeto seguir o seu caminho. É claro que isso não é muito fácil de conseguir, considerando o nosso condicionamento antigo, mas pode ser obtido, devendo ser tentado. O primeiro passo é aderir à nova postura, ter vontade de fazer, acreditar que pode, desejar intensamente. E continuar insistindo, insistindo, sem cansaço. Você consegue.

Para justificar esta posição quero sugerir a mensagem Infidelidade, contida nos livro Pedaços do Cotidiano, do espírito Silveira Sampaio, onde temos um belíssimo exemplo de procedimento feminino. Evidentemente existem pessoas não espíritas dotadas de consciência espírita, assim como existem espíritas sem ela. O mais comum, todavia, é encontrá-la entre os espíritas porque o Espiritismo trabalha muito as consciências das pessoas.

Que tal estudar para valer e, depois, aplicar firmemente o resultado em sua vida?

Que tal conhecer e aderir ao Modelo Espírita?

Francisco Cândido Xavier Jornal Consciência Espírita

Orações!

Pai Nosso! Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome, vem a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, não nos deixei cair em tentação mas livrai-nos do mal. Amém.

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