Grandes Amigos


 

 

Há pessoas que passam por este mundo de maneira única, de tal modo que esta vivenda jamais volta ao estado anterior.

Porque esse retorno seria um retrocesso, verdadeiro desperdício do impulso alavancador que os espíritos elevados estabelecem com sua estada.

São invariavelmente humildes, mas, ainda assim, e também por isso, exercem influência marcante e benéfica sobre o seu tempo terreno, restando indelével a sua lembrança exemplar muito após a sua partida.

A maioria ignora a própria condição de criatura à frente de sua época, considerando-se um ser humano indiferenciado, detentor de virtudes e defeitos como tantos outros.

Aceitam resignada e alegremente a estrada extensa que se lhes descortina para ser percorrida, esforçando-se, em plenitude inconsciente, no cumprimento de sua missão.

Deparam-se geralmente com precária condição material, incluindo o envoltório carnal, porém jamais vislumbram motivo para lamentação, revolta ou desânimo.

Superam a aparente fragilidade, revelando-se titãs na luta incruenta pelo progresso físico e moral de si mesmos e de seus contemporâneos.

Onde todos vêem a dificuldade atemorizante, qual montanha a ensejar a desistência acomodada, esses anjos encarnados bendizem a oportunidade de se mostrarem dignos dos imensos e insondáveis recursos que a Providência sempre prodigaliza.

Protagonizam, assim, episódios edificantes de fé, esperança, demonstram confiança no amparo divino, em sua própria capacidade e mesmo nos companheiros de convivência.

Constituem insignificante parcela dos espíritos que demandam esta escola quase sempre inglória, mas representam a concretização da generosidade do Pai Maior, que sempre despacha os seus emissários radiantes às paragens onde as trevas parecem prontas a acabrunhar todos que delas se aproximem.

São, de fato, faróis sublimes e pertinazes, que mostram aos habitantes da Terra que nunca estiveram, e jamais estarão, esquecidos e desamparados do Alto, por mais que perseverem no distanciamento da lei divina, simples e infalível, da caridade e da fraternidade.

Porque a luz é mais valiosa onde a nuvem obscurece o céu.

Muitos desses arautos da consolação superior atravessam a existência terrena despercebidos do restante da humanidade, sem que a ausência de reconhecimento consiga arrefecer a sua prática denodada e incondicional do bem em todas as direções.

Outros poucos recebem a gratidão de alguns que lhes conheceram o trabalho amoroso, uma recompensa justa conquanto insuficiente.

Por isso, os espíritos amigos alegram-se ao presenciar essas ocasiões em que o comportamento cristão de um viajante pela plaga terrena é recordado com tanta felicidade e correção.

Como o bom médico ora lembrado, esses emissários devem ter a sua obra cultuada como exemplo a ser seguido por todos os que não receiem a dedicação destemida ao comando da Lei Maior.

Que saibamos sempre agradecer a dádiva procurando reproduzi-la.

Psicografia recebida pelo médium Sérgio Rossi, em 29/08/2002

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