EDUCAR OS FILHOS, EIS O DESAFIO PARA UM MUNDO SEM VIOLÊNCIA

 
Jorge Hessen 

Jornais, redes de TV, revistas, rádios e Internet noticiaram um crime horroroso ocorrido, recentemente, em Goiânia. Um jovem, usuário de drogas, confessou ter matado e esquartejado uma jovem inglesa em seu apartamento. O advogado da família do assassino tentou justificar a personalidade agressiva do seu cliente, alegando que o sentimento de “perda” do pai, um policial morto em serviço, poderia ser o motivo que o levou ao vício das drogas ilícitas, e, conseqüentemente, ao extremo grau de perversidade. Porém, segundo amigos mais próximos, o assassino, além de viver às expensas da mãe, não tinha emprego, não estudava, não fazia coisa alguma e, conseqüentemente, vivia alheio a tudo que acontecia ao seu redor.

Diante do macabro episódio, a mãe da jovem inglesa assassinada afirmou que temia o envolvimento da filha com o tráfico e uso de drogas. O pai da moça, segundo parentes, nunca esteve presente para ajudar na sua educação. Sabe-se que a moça morta esteve um ano internada em uma instituição para tratamento de viciados, na Inglaterra. Para a mãe, “a filha não era um anjo”, mas não merecia morrer assim, pois ainda tinha toda uma vida pela frente, e, por causa de um “monstro humano”, não poderá realizar seus sonhos, desabafou inconformada.

A violência contra a jovem inglesa, embora bárbaro, e cuja explicação não é tarefa simples, obriga-nos a ilações diretas que passam, invariavelmente, pela questão da educação dos nossos filhos. Antes de quaisquer comentários, e para não nos precipitarmos em uma análise fria da conduta alheia, sabemos da necessidade de revisarmos os processos educativos que adotamos para com os nossos rebentos, e, se preciso for, corrigir enquanto há tempo. Como adeptos do Espiritismo, devemos ministrar a educação “espírita” a nossos filhos, e não podemos deixar de fazê-lo sob qualquer pretexto. Os Espíritos nos elucidam que a fase infantil, em sua primeira etapa, até os sete anos, aproximadamente, é a mais acessível às impressões que recebe dos pais, razão pela qual não podemos esquecer nossos deveres de orientá-los quanto aos conteúdos morais. Como o encarnado trás muito da experiência de vida anterior, em nenhuma hipótese essa primeira etapa deve ser encarada com indiferença. Até porque, a errônea idéia de que a criança deve desenvolver-se com a máxima noção de liberdade pode dar margem a trágicas conseqüências. “A criança livre é a semente do celerado. A própria reencarnação se constitui, em si mesma, restrição considerável à independência absoluta da alma necessitada de expiação e corretivo”. 

Portanto, os pais devem ensinar a tolerância mais pura, mas não desdenhemos a energia, quando necessária no processo da educação, reconhecida a heterogeneidade das tendências e a diversidade dos temperamentos. Como ilustra Emmanuel: “Ensinar-lhes-á o respeito pelo infortúnio alheio, para que sejam igualmente amparados no mundo, na hora de amargura que os espera, comum a todos os espíritos encarnados. Nos problemas da dor e do trabalho, da provação e da experiência, não deve dar razão a qualquer queixa dos filhos, sem exame desapaixonado e meticuloso das questões, levantando-lhes os sentimentos para Deus, sem permitir que estacionem na futilidade ou nos prejuízos morais das situações transitórias do mundo. Cumprindo esse programa de esforço evangélico, na hipótese de fracassarem todas as suas dedicações e renúncias, compete às mães incompreendidas entregar o fruto de seus labores a Deus, prescindindo de qualquer julgamento do mundo, pois que o Pai de Misericórdia saberá apreciar os seus sacrifícios e abençoarão as suas penas, no instituto sagrado da vida familiar.” 

Portanto, os pais espíritas devem conduzir energicamente os filhos para a educação de evangelização espírita, pois, qualquer indiferença nesse particular, segundo Emmanuel, “pode conduzir a criança aos prejuízos religiosos de outrem, ao apego do convencionalismo, e à ausência de amor à verdade.”  Destarte, agir contrariamente a essas normas é abrir para o criminoso de ontem a mesma porta larga para os excessos de toda sorte, que conduzem ao aniquilamento e ao crime. “Os pais espiritistas devem compreender essa característica de suas obrigações sagradas, entendendo que o lar não se fez para a contemplação egoística da espécie, mas, sim, para santuário onde, por vezes, se exige a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira.” 

Como devemos fazer para cumprirmos, evangelicamente, os nossos deveres, conduzindo os filhos para o bem e para a verdade? Os pais devem ser o expoente divino de toda a compreensão espiritual e de todos os sacrifícios pela paz da família. A missão dos pais, principalmente da mãe, resume-se em dar sempre o amor de Deus, que pôs no coração das mães a sagrada essência da vida. Nos labores do mundo, existem aquelas (mães) que se deixam levar pelo egoísmo do ambiente particularista; contudo, é preciso acordar a tempo, de modo a não viciar a fonte da ternura. “A mãe terrestre deve compreender, antes de tudo, que seus filhos, primeiramente, são filhos de Deus.” 

Os filhos, quando crianças, registram em seu psiquismo todas as atitudes dos pais, tanto as boas quanto às más, manifestadas na intimidade do lar. Por esta razão, os pais devem estar sempre atentos e, incansavelmente, buscando um diálogo franco com os filhos, sobretudo, amando-os, independentemente, de como se situam na escala evolutiva. Coincidentemente, ou não, os jovens que dependem exageradamente dos tóxicos (como no caso de Goiânia), são pouco amados pelos pais, sentem-se deslocados no grupo familiar ou se consideram pouco atraentes, etc. Por estas e muitas outras razões, os pais devem transmitir segurança aos filhos através do afeto e do carinho constantes. Afinal, todo ser humano necessita ser amado, gostado, mesmo tendo consciência de seus defeitos, dificuldades e de suas reais diferenças.

Outro posicionamento a ser observado é nunca partir para atitudes extremas, como, por exemplo: violência verbal, violência física ou ainda, movida por extrema impaciência, expulsar um filho de casa. Qualquer ato precipitado dos pais poderá reverter contra eles mesmos, futuramente, e lançá-los à dor do arrependimento tardio. Convém que não se esqueçam, principalmente, de que a oração fervorosa é a mais poderosa ferramenta de que o homem dispõe como solução contra quaisquer sugestões do mal. Por falar em solução, existem várias maneiras paralelas de ajuda aos que dependem da droga: tratamento médico; terapias cognitivas e comportamentais; psicoterapias; grupos de auto-ajuda, a considerar: Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, etc. As famílias que se deparam com um drama desses no lar, em primeiro lugar, devem procurar forças em Deus, e em Jesus, porque Ele não veio somente para os sãos, mas, fundamentalmente, para os enfermos.

O Espiritismo não propõe soluções específicas, reprimindo ou regulamentando cada atitude, nem dita fórmulas mágicas de bom comportamento aos jovens. Prefere acatar, em toda sua amplitude, os dispositivos da lei divina, que asseguram a todos o direito de escolha (o livre-arbítrio) e a responsabilidade conseqüente de seus atos. Por todas essas razões, precisamos aprender a servir e perdoar; socorrer e ajudar os jovens entre as paredes do lar, sustentando o equilíbrio dos corações que se nos associam à existência e, se nos entregarmos realmente no combate à deserção do bem, reconheceremos os prodígios que se obtêm dos pequenos sacrifícios em casa por bases da terapêutica do amor.

Desde os primeiros anos, deve ensinar a criança a fugir do abismo da liberdade, controlando-lhe as atitudes e concentrando-lhe as posições mentais, pois que essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida. Urge salientar que quando os filhos são rebeldes e incorrigíveis, impermeáveis a todos os processos educativos, “os pais, depois de movimentar todos os processos de amor e de energia no trabalho de orientação educativa dos filhos, que sem descontinuidade da dedicação e do sacrifício, esperem a manifestação da Providência Divina para o esclarecimento dos filhos incorrigíveis, compreendendo que essa manifestação deve chegar através de dores e de provas acerbas, de modo a semear-lhes, com êxito, o campo da compreensão e do sentimento.”

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