BARREIRAS

 

Giovanni Lanfranco
Giovanni Lanfranco

 

 

 


Emmanuel

 

 

Que há sofrimentos, em toda parte do mundo, não há negar.

Reflitamos, porém, nos sofrimentos criados por nós mesmos.

Aquele da solidão em que nos ilhamos, através de falsos conceitos, é um deles.

E dos maiores.

Constrangedoras cercas mentais em que nos gradeamos, desertando da vida comum.

Barreiras as mais diferentes.

 

*

Há os que se admitem demasiadamente envelhecidos na experiência física e se emparedam contra toda a espécie de renovação, como se a madureza não fosse o período áureo da reflexão, com as alegrias conscientizadas da vida.

Há os que vararam acidentes afetivos e entram em pessimismo sistemático, como se o amor – divina herança do Criador para todas as criaturas – devesse estar escravizado ao nível da incompreensão.

Há os que se declaram ludibriados pelo fracasso e se encasulam no desânimo, olvidando a construção da felicidade própria.

Há os que acreditam muito mais na doença que na saúde e se estiram em desalento, rendendo culto à suposta incapacidade.

 

*

Em todos os lugares, cercas de amarguras, desalento, tristeza, deserção…

Entretanto, a vida igualmente, em toda parte, oferece a todos os seus filhos uma senha de progresso: – trabalho e participação.

 

*

Se te dispões a aprender e servir, ninguém pode avaliar o tesouro das oportunidades de elevação que se te descerrará ao caminho.

Abençoa a disciplina que nos orienta o coração com diretrizes justas, mas não te prendas a limitações imaginárias que te separem da idéia de Deus e da grandeza da vida.

Quando te encontres em dúvida, quanto à libertação espiritual a que todos nos achamos destinados pelos princípios de evolução e aperfeiçoamento, olha para o Alto.

Toda a região que nomeamos por céu não é mais que uma saída gloriosa com milhões de portas abertas para a celeste ascensão.

 

 Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

 

 

 

ANIMOSIDADE

 

 

 

Joanna de Ângelis

Viceja, ao lado da simpatia, no sentimento humano, a animosidade.

Reação psíquica, vinculada a vários fatores, atormenta a quem lhe padece o cerco e aflige a quem se lhe faz vítima, conduzindo-a n’alma.

Pode originar-se na competição inconsciente, quanto na inveja dissimulada, imiscuindo-se em várias expressões do comportamento, que envenena, a cada passo.

Toma a si a tarefa malsã de fiscal impenitente, perseguindo, à socapa, no disfarce da maledicência constante ou da crítica mordaz, não raro investindo com rigor em constante acusação.

Não desculpa os que lhe caem sob o talante, quando estes erram, nem permite que eles acertem, seguindo em paz.

Ante a atitude correta, dissemina a dúvida; em face do erro agride, insensata, quando de todos é o dever de ajudar.

Nunca te subordines às suas amarras.

Jamais a apliques contra alguém.

* * *

A animosidade é fator de desequilíbrio, sendo, já, manifestação alienadora.

Se lhe sentes as farpas, arrojadas por alguém que te antipatiza, luta para não revidar à agressão.

Não te deixes sintonizar nas faixas mentais em que se demoram os que se te apresentam animosos.

Procura ser gentil com eles, sem que te atormentes por conquistá-los.

Eles estão contra ti, impedindo-se cordialidade para contigo.

Não intentes vencê-los no tentame, a fim de que não te detenhas com eles.

Usa da afabilidade sem ser pusilânime.

O tempo logrará despertá-los, conduzindo-os corretamente.

* * *

Ninguém pretenda a simpatia geral.

Sempre há alguém que postula noutros conhecimentos, comportando-se de forma diversa ou que prefere, simplesmente, a atitude contrária.

Mesmo nas fileiras dos ideais que esposas, defrontá-los-ás.

Alguns não se dão conta que estão teledirigidos por outras mentes atormentadas interessadas no programa do divisionalismo, da perturbação.

Prossegue, porém, no teu caminho, vinculado ao compromisso que abraças, sem valorizar em demasia a animosidade dos insensatos.

Se souberes retirar a parte melhor do problema, a antipatia deles te ajudará a errar menos, porque, perseguido e vigiado, procurarás produzir com mais estímulo para o bem e para melhor.

* * *

A Sócrates, os adversários deram o vaso de cicuta, não porque ele necessitasse de punição, mas porque não o podiam submeter aos seus caprichos.

A Jesus, que também não se furtou à animosidade da sua época nem dos seus contemporâneos, ofereceram a cruz, numa tentativa de aniquilá-lo, sem, no entanto, perceberem que a trave horizontal fora transformada em asa de vitória e a vertical, em apoio para todos os ideais de enobrecimento da Humanidade como símbolo de perene vitória para quem almeja a glória espiritual.


De “Oferenda”, de Divaldo Pereira Franco, 
pelo Espírito Joanna de Ângelis

 

 

Peter Paul Rubens
Peter Paul Rubens