É PRECISO NASCER DE NOVO

 


     As dimensões tempo e espaço constituem limites para demarcar estágios e situações para a mente, nas faixas experimentais da evolução. À medida, porém, que o espírito progride, se lhe ampliam tais conceituações, e ele adquire incalculáveis percepções de infinito e eternidade, superando as linhas de que necessita para localizar e localizar-se.

     Pelas imposições reencarnatórias, todo ultraje que se comete se há de resgatar, embora não necessariamente numa reencarnação imediata ou muito próxima, após o gravame cometido.

     O atentado à Lei se insculpe no espírito, sensibilizando-lhe o perispírito, ou psicossoma, na direção da sede da alma, e dali repercutindo, através dos tecidos sutis da estrutura espiritual, no próprio corpo somático. Dia surge no qual irrompe, sob a forma de limitação orgânica ou deformidade teratogênica, distonia emocional ou paroxismo nervoso, ulceração maligna ou câncer traiçoeiro, ou então mediante estranhas constrições morais, amargas conjunturas ou restrições sociais, financeiras, sexuais ou familiares, pelas quais a iniludível justiça da vida alcança os seus defraudadores.

     Com invulgar licitude asseverou Jesus a necessidade de “nascer de novo”, a fim de que se paguem as dívidas inteiras, moeda a moeda, até que, liberado, o devedor alcance o reino dos céus, que implantará, através da autopurificação, na própria consciência.

     Pode dar-se o resgate reequilibrador na etapa seguinte, ou ocorrer em escalada futura, mas ninguém ludibriará a justiça.

     Num avatar, o espírito, se erra, também pode descartar-se de mazelas outras, adquirindo valiosas experiências, que armazena para momento próprio, registrando-as em seu mapa evolutivo.

     Numa encarnação adquire-se determinada expressão de vitória, não obstante os equívocos que se perpetre. Somadas as realizações dignificantes e subtraídas as dívidas, transfere-se o saldo, positivo ou não, das conquistas pessoais.

     Transladam-se de uma para outra vida realizações e problemas, aquisições e perdas, que ressumam oportunamente, quando se fazem favoráveis as circunstâncias, do que decorre o adágio, segundo o qual “Deus não concede fardo superior às forças de quem o carrega”.

     Como conseqüência, a qualidade da vida resulta das múltiplas operações que o ser se impõe, caindo agora, levantando-se depois, sobraçando sempre um saldo, que o favorece ou não com recursos para a final redenção.

     Através de provações abençoadas e expiações libertadoras, a Divina Sabedoria nos conduz ao compromisso de ascender e progredir, nas dimensões da Imortalidade.

(Espírito de Victor Hugo – OBRA: Sublime Expiação – Médium: Divaldo Pereira Franco)

 

Eugene de Blaas
Eugene de Blaas "Boas Criaturas" (1877) 100,2 x 76 cm óleo s/tela

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