Sugestão para Leitura

Reencarnação: Lei da Bíblia

Autor: Sérgio Aleivxo

Editora: Lachâtre

Ano: 2004

PRÓLOGO À 3.ª EDIÇÃO

A primeira tiragem do Reencarnação data de março de 1999. Estreávamos nas lides da literatura espírita. Devemos isso à professora Cristina da Costa Pereira, que nos disse no auditório da USEERJ em 1997: “Você deve tentar a Lachâtre; é uma editora visionária, muito à frente do que se vê por aí”. Temos de agradecer também à editora, que aceitou o desafio dessa empreitada e, posteriormente, de mais três: Com quem falaram os profetas? (2000), O espírito das revelações (2001) e O mais profundo religar (2003).

Quanto ao Reencarnação, os êxitos alcançados, de um lado, se mostraram nos testemunhos que nos ressaltaram a objetividade e o didatismo da obra, em que pese à quantidade de referências que lhe embasam as proposições; de outro, na aprovação de seu acabamento conceitual, em tudo fiel à codificação espírita, a despeito de tão funda incursão escriturística. Mas é que sempre consideramos com gravidade o que firmaram os professores Deolindo Amorim e J. Herculano Pires:

“É o espiritismo que interpreta o evangelho, não é o evangelho que interpreta o espiritismo”.

“Admitir o absolutismo das escrituras seria frustrar a evolução do cristianismo nos rumos da plena espiritualidade, que constitui ao mesmo tempo a sua essência e o seu destino, seu objetivo”.

Dignos representantes do pensamento kardeciano, exemplos em que procuramos nos mirar, os autores supracitados demonstram incondicional fidelidade à revelação espírita, cuja autoridade foi assim expressa pelo mestre lionês em face das próprias escrituras:

“[…] mesmo com os apóstolos, [Jesus] conservou-se impreciso acerca de muitos pontos, cuja completa inteligência ficava reservada a ulteriores tempos. Foram esses pontos que deram ensejo a tão diversas interpretações, até que a ciência, de um lado, e o espiritismo, de outro, revelassem as novas leis da natureza, que lhes tornaram perceptível o verdadeiro sentido”.

“As religiões que se fundaram no evangelho não podem, pois, dizer-se possuidoras de toda verdade, porquanto, ele, Jesus, reservou para si a complementação ulterior de seus ensinamentos. O princípio da imutabilidade, em que elas se firmam, constitui um desmentido às próprias palavras do Cristo”.

Fixamos nossa criteriologia consoante as indicações acima para não sermos veículo de conceitos verdadeiros mesclados a ranços desnaturadores da proposta espírita.

Apesar do êxito do Reencarnação, proceder a uma revisão — mais que a uma ampliação — pareceu-nos oportuno. Tivemos por meta ser ainda mais simples, acentuando a fluidez da linguagem, a objetividade dos conceitos e, sobretudo, a transparência das fontes. Não queremos que nos seja creditado qualquer mérito que não se nos aplique; aliás, se algum temos, é o de ser um obstinado articulador de informações a serviço da doutrina espírita.

Este livro só terá alcançado seu objetivo se o leitor puder compreender que o espiritismo não se distancia das bases da cultura judaico-cristã ao ensinar a reencarnação, mas que presta a essas bases o favor impagável de lhes restituir a credibilidade do seu verdadeiro sentido, em tudo dependente, hoje, de uma legítima compreensão espírita de suas proposições.

Rio, setembro de 2003
SERGIO F. ALEIXO

INTRODUÇÃO

Dialogava Sócrates com seu discípulo Cebes. Era o século IV antes de Jesus Cristo. Espírito elevado, o grande filósofo ensinava a lógica da reencarnação já naqueles tempos.

“Sócrates: — É uma opinião muito antiga que as almas ao deixarem este mundo vão para o hades, e dali voltam para a Terra, e retornam à vida depois de terem passado pela morte. Se é assim, e se os homens depois da morte voltam à vida, deduz-se necessariamente que as almas estão no hades durante esse tempo, porque não voltariam ao mundo se não existissem e isto é uma prova de que existem, uma vez que os vivos nascem dos mortos […]. Não reconheceremos à morte a virtude de produzir seu contrário, ou diremos que quanto a isto a natureza é coxa? Não é necessário, de modo absoluto, que a morte tenha seu contrário?
Cebes: — Com efeito.
Sócrates: — E qual é seu contrário?
Cebes: — Reviver.
Sócrates: — Reviver, se há um retorno da morte à vida, é efetuar esse retorno. Por esta razão nos convenceremos de que os vivos nascem dos mortos, como estes daqueles, prova inconteste de que as almas dos mortos existem em algum lugar, de que tornam a viver”.

Hoje, porém, não são especulações que revelam a lógica reencarnatória, mas os dados da experiência. Ordenados com extremo rigor pela metodologia da pesquisa científica, esses dados estão a indicar como lei natural a palingênese, ou palingenesia (do grego palin: de novo, e génese: nascimento). Ela se apresenta indispensável ao equacionamento de muitos fenômenos estudados nos domínios interdisciplinares da biologia, da física e da psicologia. É uma confirmação destas palavras do codificador do espiritismo ainda em pleno século XIX: “[…] só a doutrina da pluralidade das existências explica o que, sem ela, se mantém inexplicável […]”.

O grande desafio da ciência do porvir será estudar as relações entre o elemento espiritual e o elemento material por métodos especialmente adequados a esse tão delicado objeto de pesquisa. Um êxito pleno, contudo, só estará assegurado mediante a concepção espírita da reencarnação.
Ao dizermos “concepção espírita”, não insinuamos que a reencarnação seja propriedade ou invenção da doutrina codificada por Allan Kardec, apenas que tem características muito próprias quando considerada desse ponto de vista.

O rigor do critério lógico-científico em que está baseado o espiritismo não lhe permite ver a reencarnação como sádico castigo imposto por Deus nem, menos ainda, incluindo a irracional hipótese de retrogradação da alma a reinos inferiores da natureza. Antes, trata-se de uma necessidade para a plenificação do princípio inteligente, ou espiritual. Atingindo a condição de humanidade, esse princípio não retorna a fases por si já superadas em sua evolução multimilenar. Segundo os espíritos superiores: “É assim que tudo serve, tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo”.

Nossa proposta não é apresentar provas científicas da reencarnação. (Se provas convencessem, médicos não fumariam!) Radicadas nas melhores universidades do planeta, inteligências com graduação Ph.D. realizam muito competentemente essa tarefa. Ela se tornou mais interessante, aliás, para cientistas do que o seria para certos religiosos…

Diante das tendências modernas e conhecendo a obra de Kardec, limitamo-nos a perguntar, acerca do cristianismo, se apenas descobertas arqueológicas podem livrá-lo das toneladas de dogmas que sobre ele pesam? O estudo perseverante e sério das escrituras nada mais tem que acrescentar à compreensão da doutrina de Jesus? A busca quase febril por escritos inéditos, apócrifos ou não, é o único meio de despir o cristianismo dos trajes inadequados com que o fizeram se apresentar à modernidade?

Adepto do espiritismo, somos favorável às pesquisas científicas. As descobertas do mar Morto e do Alto Egito são fascinantes. Porém, desde a codificação kardeciana, a ciência espírita aplicada resolveu muito daquilo que, nas escrituras, permanece insolúvel para alguns.
Neste trabalho, queremos demonstrar que a cultura judaico-cristã tem precedentes reencarnacionistas incontestáveis, a despeito de as políticas igrejeiras, sustentadas pelos mais absurdos teologismos, se obstinarem ainda em negá-los.

Um esforço bem modesto de síntese acerca do tema, esta obra não pretende esgotá-lo, apenas contribuir para sua elevação ao lugar de importância que reclama na nossa cultura. Afinal, as inteligências de graduação Ph.D. da física, da psicologia e da biologia é que têm sido as mais ardorosas adeptas da pluralidade das existências.

Então, os religiosos conscientes devem admitir e identificar nas escrituras a presença granítica da reencarnação, uma lei da natureza legitimada, sim, pelos fundamentos da civilização ocidental: a bíblia e os evangelhos. Ela constitui a única justificativa lógica para o nosso código ético-moral, cada vez mais necessário ante a perigosa insuficiência da patológica acuidade intelectiva de nosso tempo: ciência sem consciência, razão sem coração.

SERGIO F. ALEIXO

CVDEE – Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo http://www.cvdee.org.br

Entrevista Virtual Entrevistado(a): Sérgio Fernandes Aleixo

Tema: Reencarnação na Bíblia

Num. Questões: 20

Nota: O conteúdo das respostas é de inteira responsabilidade do autor, cabendo ao CVDEE o papel de divulgação e incentivo ao estudo da Doutrina Espírita.

– Questão [#001] Gostaria de saber quais as passagens do Velho Testamento em que estão inseridas as provas da reencarnação.

Resposta: Trata-se de um ensino constantemente velado. Por isso, para alguns, seriam no máximo evidências. Mas, para nós, respondem por provas de que a interpretação espírita da bíblia não é menos viável do que qualquer outra. Ao contrário! Supera as demais exegeses por ser a única que mantém a sua lógica intrínseca. Em meu livro REENCARNAÇÃO: LEI DA BÍBLIA, LEI DO EVANGELHO, LEI DE DEUS (Lachâtre, 1999), escrevi sete capítulos sobre o Velho Testamento, cada um deles epigrafado por uma passagem contendo a idéia da reencarnação. Referências propriamente ditas, contudo, são muitas. Certamente, mais do que todos podemos imaginar. Eu ressaltaria as seguintes: – o próprio Decálogo abriga em si o conceito de retorno “na terceira e quarta geração” (Êxodo, 20:5); – o caso dos gêmeos de Rebeca, que ” ‘lutavam’ no ventre dela” (Gênesis, 25:22), sendo que o profeta Isaías afirma haver, no caso, prevaricação “desde o ventre” (48:8); – a sentença de Ana, mãe de Samuel, a qual diz que “o Senhor faz descer ao xeol e faz tornar a subir dele” (1.º Samuel, 2:6); – Salmo 71, versículo 20, que afirma: “(…) me restaurarás ainda a vida e de novo me tirarás dos abismos da terra”; – Eclesiastes, que assevera: “O que é já foi; e o que há de ser também já foi; Deus fará renovar-se o que se passou” (3:15); – Jó, em meio ao seu infortúnio, confessa: “Nu saí do ventre de minha mãe, e nu voltarei para lá” (1:21); – ainda Jó, na versão da Igreja Grega, afirma: “Quando o homem está morto, vive sempre; acabando os dias da minha existência terrestre, esperarei, porquanto a ela voltarei de novo”; – no livro de Sabedoria, aceito pelos católicos, o autor diz que “sendo bom, entrou num corpo sem mancha” (8:20); Etc., etc.

Questão [#002] Comente a citação Eclesiastes 12.7.

Resposta: Esse passo eu o comento no capítulo 10 do meu livro COM QUEM FALARAM OS PROFETAS? FUNDAMENTOS BÍBLICOS DA FENOMENOLOGIA ESPÍRITA (Lachâtre, 2000). Ao interpretar o versículo, não devemos incidir no panteísmo. Esse passo é conseqüência de uma exposição acerca da fragilidade e brevidade da vida, recomendando-nos que lembremos de Deus enquanto somos jovens, antes que as limitações e tribulações da velhice nos assaltem, e nos sobrevenha a morte, descrita como remoção ou rompimento da corda ou fio de prata (cf. 12:6), isto é, o “laço fluídico”, espécie de “cauda fosforescente”, de “rastro luminoso”, que liga o espírito ao corpo, sobretudo quando emancipado pelo sono físico (cf. O Livro dos Médiuns, 118 e 284:40.ª) Assim, chegamos ao ponto (12:7), “o pó (corpo) volta à terra, como era; e o espírito (eu imortal) a Deus, que o deu”. Trata-se de referência à preexistência da alma! Há evidente metáfora na linguagem, tomando-se o mundo “divino” (para os antigos) ou “espiritual” (para nós) pelo próprio “Deus”. Portanto, de lá viemos e para lá voltamos, repetidamente, pois o mesmo Eclesiastes diz, como vimos acima, que Deus fará renovar-se o que se passou.

Questão [#003] Em que trechos da Bíblia fala mais claramente sobre a Reencarnação?

Resposta: Salvo melhor juízo, a palavra REENCARNAÇÃO surgiu nas obras de Kardec. Nas escrituras, fala-se de novo nascimento (palingenesia), de ressurreição dos mortos (anástasis ek tõn nekrõn), nunca propriamente de ressurreição dos corpos, expressando, portanto, a idéia de retorno, de ressurgimento, mas do espírito, não do corpo. O contexto é que revela tratar-se de retorno do espírito ao plano espiritual (desencarnação) ou de seu retorno ao plano físico (reencarnação). Do sem-número de referências ao processo reencarnatório nas escrituras, cito como as mais explícitas as seguintes: – Em O Evangelho segundo o Espiritismo, Kardec ressalta a versão da Igreja Grega para o Livro de Jó, no Velho Testamento, em seu capítulo 14, versículo 14, onde se lê: “Quando o homem está morto, vive sempre; acabando os dias da minha existência terrestre, esperarei, porquanto a ela voltarei de novo”. Infelizmente, as demais versões não conservaram esta afirmação clara. – No Evangelho segundo Mateus, capítulo 11, versículo 14, Jesus declara sobre João Batista: “Se quiserdes compreender o que vos digo, ele mesmo é Elias, que está destinado a vir”. No mesmo Evangelho, capítulo 17, versículos 12 e 13, lemos: “Eu vos declaro que Elias já veio e eles não o reconheceram. Então seus discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara”. Nenhum malabarismo da exegese bíblica pode desmentir o próprio Cristo.

Questão [#004] Você pode nos indicar uma edição da Bíblia para consultas e estudos?

Resposta: Não existe nenhuma edição “infalível”, não só porque isso seria praticamente impossível, mas também porque é grande a influência dos “corretores”. Particularmente, quando necessário, faço um trabalho de comparação de diversas versões e edições, adotando, para cada caso particular, a que mais reflete a verdade espírita, que deve ser o nosso critério de julgamento. Interpreto as escrituras à luz do espiritismo e não o espiritismo à luz das escrituras. No meu livro REENCARNAÇÃO: LEI DA BÍBLIA, LEI DO EVANGELHO, LEI DE DEUS (Lachâtre, 1999), relaciono, na bibliografia, todas as edições e versões de que fiz uso. Pessoalmente, gosto muito da BÍBLIA DE JERUSALÉM (Paulinas, 1985) e da edição revista e atualizada de JOÃO FERREIRA DE ALMEIDA (SBB, 1993).

Questão [#005] Se a Bíblia de capa a capa ensina claramente que não existe reencarnação (esta palavra não existe na bíblia), como explicas isso? Jesus ressucitou e não reencarnou. Como sustentar a doutrina de reencarnação sem base bíblica? A visão de Samuel foi apenas uma visão e Deus não disse que a visão era Dele. Tomar versículos isolados da Bíblia e esquecer o resto é correto?

Resposta: A premissa desta questão é falsa. Primeiramente, as escrituras ensinam desde o mais obtuso materialismo até o mais sublimado espiritualismo… Não há, na letra, nenhuma unidade doutrinária de capa a capa. Ao contrário! Há bastantes contradições. Ao demais, muitas coisas existem antes que as culturas as definam desta ou daquela maneira, com esta ou aquela palavra, sem deixarem, por isso, de ser o que são. A reencarnação é lei natural! Ainda que as escrituras não a mencionassem, ela continuaria vigendo, como imutável lei divina. Mas o fato é que elas a referem, a seu modo. Mesmo assim, porém, independentemente da “base bíblica”, a reencarnação sustenta-se em pesquisas científicas e especulações filosóficas. Jesus ressuscitou, sim; ou seja, no caso, ressurgiu para o plano espiritual, com sua “glória”, de onde, aliás, já na posse também de suas respectivas “glórias”, Moisés e Elias falaram com ele, estando Jesus ainda encarnado (Lucas, 9:30-31). Isto demonstra que a ressurreição do Mestre foi mitificada pelas religiões; ou seja, nada houve de excepcional do ponto de vista das leis naturais. Lá estavam, igualmente ressuscitados, isto é, ressurgidos para a vida imortal, tanto Moisés quanto Elias! Para um verdadeiro cristão, por mais isolado que seja um versículo, se ele for verdadeiramente de Jesus, como o é o que afirma que João Batista foi Elias, de nada valem outros que digam o contrário… O fato é que só os princípios espíritas dão lógica às escrituras, pondo em evidência a unidade do espírito (que vivifica) e superando a diversidade formal da letra (que mata). Já as teologias das diversas religiões dogmáticas, simplesmente pararam no tempo.

Questão [#006] Gostaria de saber porque nas escrituras embora algumas partes falam claramente da existência da reencarnação outras vão claramente ao contrário como por exemplo quando Jesus disse que seriam lançados na geena onde o “verme” não morre e o sofrimento se torna eterno?

Resposta: Fomos acostumados a pensar que há nas escrituras uma unidade doutrinária que na verdade elas não possuem. A bíblia é plural! Então é natural que a letra revele as contradições de cronistas e implementos de corretores. As teologias, com suas interpretações, é que vivem a fabricar pseudo-unidades, expressas assim: “Segundo a PALAVRA DE DEUS… A BÍBLIA DIZ QUE…”, quando o mais honesto seria admitir as diversas variantes da equação do problema. O espiritismo não surgiu de nenhuma releitura da bíblia, embora tenha sua própria interpretação, por força de razões históricas, culturais e, sem dúvida, espirituais. Exatamente, por essa sua independência, enquanto revelação, ciência e filosofia, só o espiritismo nos pode fornecer a fórmula de superação desses inglórios obstáculos a uma lúcida compreensão das verdades espirituais escriturísticas, inegáveis, mas à luz da doutrina. O versículo apontado nesta questão (Marcos, 9:44) simplesmente não figura na TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO DAS ESCRITURAS SAGRADAS (bom trabalho das testemunhas de Jeová, que seria excelente se não cometesse a desfaçatez de substituir em muitos passos “feitiçaria” por “prática de espiritismo”, e “feiticeiro” por “médium espírita”, termos estes criados por Kardec já no séc. XIX). O referido versículo 44 do capítulo 9 de Marcos também está entre colchetes na excelente versão bíblica para computador de Ismael Vieira, o que significa que foi acrescentado posteriormente.

Questão [#007] Qual a importância da Bíblia, principalmente o Antigo testamento, para o Espiritismo?

Resposta: Evidente que não devemos priorizar a bíblia em detrimento do espiritismo, mas, por outro lado, para compreendê-lo melhor, não podemos desprezá-la… O grande filósofo Herculano Pires disse: “A bíblia é muito valiosa para os espiritistas estudiosos porque é o maior e o mais vigoroso testemunho da verdade espírita na antigüidade”. (Visão espírita da bíblia, artigo 15.º) Além do que, as revelações podem ser esparsas ou concatenadas. A revelação espírita mostra-se seqüência de duas anteriores, codificadas exatamente no Velho e no Novo Testamento. Veja-se o n.º 3 do capítulo XX de O Evangelho segundo o Espiritismo: “Mais de um patriarca, mais de um profeta [1.ª revelação – Velho Testamento], mais de um discípulo do Cristo, mais de um pregador da fé cristã [2.ª revelação – Novo Testamento] se encontram no meio deles [dos espíritas], porém, mais esclarecidos, mais adiantados, trabalhando, não já na base [as duas primeiras revelações] e sim na cumeeira do edifício [a 3.ª revelação]”.

Questão [#008] Um amigo protestante argumentou-me que a reencarnação não existe e que na própria Bíblia existe uma outra passagem que comprova que João Batista não é Elias reencarnado. Segundo ele, quando Jesus “encontrou” no fenômeno de transfiguração com “Elias e Moisés”, não existe nenhuma citação quanto tal assunto, e que se João Batista era realmente Elias ele não deveria ter parecido como tal. Sou espírita e acredito na reencarnação, o que dizer neste caso?

Resposta: Fica difícil argumentar em termos lógicos com pessoas que dizem, por exemplo, que João Batista não podia ser Elias porque este último não morreu, foi elevado ao céu num carro de fogo, interpretando ao pé da letra a narrativa do 2.º Livro de Reis, 2:1-18. Ou então com pessoas que, na bíblia, preferem a palavra de João Batista à do próprio Jesus… João até podia não saber se tinha sido Elias, pois normalmente não lembramos de vidas anteriores. Mas o fato é que Jesus sabia! Quanto aos fenômenos que secundam a transfiguração de Jesus, bem mais comprobatório de que João Batista foi Elias é o fato de ter ele aparecido como tal (essa propriedade do perispírito se chama plasticidade) do que se tivesse aparecido sob a forma de João, porquanto o próprio Jesus disse que Elias já tinha vindo, mas não fora reconhecido na figura do Batista. Vejam-se os capítulos 17 de Mateus e 9 de Lucas! Claríssimo!

Questão [#009] Se a Bíblia foi muitas vezes “revisitada”, diríamos assim pela Igreja Católica ao longo dos séculos, e ela não admite a reencarnação, como se explica que tenha deixado textos como o diálogo de Nicodemos com Jesus; o que Jesus falou sobre Elias e João Batista, na Bíblia?

Resposta: A Igreja não admite, hoje e publicamente, a reencarnação, mas a verdade é que nunca a condenou formalmente. Alguns de seus chamados “pais” eram partidários da reencarnação. Certos líderes contemporâneos da Igreja é que querem saber mais do que aqueles que eles mesmos consideram fundadores da “Santa Madre”… Recomendo a leitura do texto de Léon Denis sobre a relação da Igreja Católica com a reencarnação, inserido no clássico O Porquê da Vida (FEB).

Questão [#010] É sabido que nenhuma tradução feita é plenamente igual ao original. Além disso, a Igreja Católica já retirou diversos textos da Bíblia que não era interessantes para ela nos famosos Concílios de Trento, inclusive os referentes à reencarnação. Por que então tantas referências no Espiritismo da questão bíblica, já que este livro foi escrito por discípulos que não conheceram Jesus e outros depois de anos da morte do Mestre, acrescentando-se as traduções má interpretadas e influenciadas pela Igreja?

Resposta: Mesmo reconhecendo as limitações que por estes ou aqueles motivos se impuseram ao processo de transmissão dos ensinos de Jesus, os evangelhos são documentos de valor histórico, cultural e espiritual comprovado, e isto por sábios de diversas áreas e ao longo de séculos. Digo mesmo que Kardec foi o maior deles! Não fossem esses documentos e pouco ou nada teríamos sabido da doutrina do Mestre. O próprio Cristo tinha conhecimento de que haveria deturpações e imperfeições no repasse formal de seus ensinos à posteridade. Mas por essa razão é que prometeu restabelecê-los mediante o envio do Consolador. Assim, o espiritismo coloca as coisas nos seus devidos lugares e, para isso, tem de recorrer também às fontes culturais e históricas de que dispomos.

Questão [#011] Até que ponto, nós, espíritas, não “forçamos” demais a Bíblia para ela falar em reencarnação? Parece-me fato que, os textos canônicos (exceção feita aos apócrifos) não pareciam muito inclinados as crenças reencarnacionistas, principalmente os paulinos. O que pensa sobre isso?

Resposta: Para efeito deste ponto de vista, os chamados textos apócrifos não excedem em nada os canônicos. Apresentam a mesma diversidade formal de possibilidades. Mas esta pergunta é oportuna e muito pertinente. Certa vez, um confrade nosso me disse que o cego de nascença expiava inegavelmente uma falta, pois não poderíamos “perder essa prova da reencarnação”… Eu o adverti para o fato de que não poderíamos “atropelar” Jesus, porque o próprio Mestre afirmou que o pecado não era do cego de nascença, nem menos ainda de seus pais. Claro que se tratava, desse modo, de uma prova de caráter não expiatório, como esclarece Kardec em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V, n.º 9, e em A Gênese, cap. XV, n.º 25. Esse nosso confrade estava de fato “forçando a bíblia” a falar em reencarnação. O que temos no caso é a reencarnação, senão afirmada, ao menos cogitada, haja vista a pergunta dos discípulos: se o cego de nascença tinha cometido um pecado para que nascesse sem visão. A reencarnação aparece como evidente hipótese especulativa. Então, penso que, sim, alguns espíritas querem fabricar “provas” da reencarnação a todo custo. Mas a reencarnação, como um dos fundamentos legítimos de nossa civilização, dispensa tais negligências. É o que pretendi demonstrar no meu livro REENCARNAÇÃO: LEI DA BÍBLIA, LEI DO EVANGELHO, LEI DE DEUS (Lachâtre, 1999), seguindo com rigor o critério kardeciano para o tratamento da matéria.

Questão [#012] Algumas pessoas contestam que João Batista foi outra encarnação de Elias, argumentado que Elias, segundo o texto bíblico não morreu, foi arrebatado por uma carruagem de fogo. Como interpretar a luz da doutrina Espírita A questão do Arrebatamento de Elias?

Resposta: Essa contestação não vale certamente para pessoas razoáveis… Aliás, mais uma vez, certos cristãos demonstram ser algo judaizantes, ao preferirem o Velho Testamento ao Novo… Quanto à interpretação do texto bíblico, eu fiz uma em meu livro COM QUEM FALARAM OS PROFETAS? FUNDAMENTOS BÍBLICOS DA FENOMENOLOGIA ESPÍRITA (Lachâtre, 2000). Entendo que houve fatos mal compreendidos aliados a um processo de mitificação da figura de Elias, o que gerou uma narrativa de característica superficialmente lendária, mas verídica em seu fundo.

Questão [#013] Por que temos que nos prender a Bíblia, se Jesus nos trouxe a Boa Nova?

Resposta: Isto me faz recordar a razão do incêndio da famosa biblioteca antiga de Alexandria, sob a falsa justificativa de que o contido em todos aqueles livros já estava no Alcorão… Não se trata de nos prendermos ao Velho Testamento. Como podemos entender o processo de construção de um edifício ignorando que ele teve lançados, criteriosamente, por um Construtor, os seus fundamentos? Jesus disse que não vinha destruir a Lei de Moisés, mas complementá-la, da mesma forma que, segundo Kardec, o espiritismo não revoga a Lei Cristã, dá-lhe execução. Há, portanto, uma seqüência a ser observada, se não em sua forma, indispensavelmente em seu fundo. Quando menos, vejamos o que nos diz o item 628 de O Livro dos Espíritos: “Importa que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: o homem precisa habituar-se a ela, pouco a pouco; do contrário, fica deslumbrado. Jamais permitiu Deus que o homem recebesse comunicações tão completas e instrutivas como as que hoje lhe são dadas. Havia, como sabeis, na antiguidade alguns indivíduos possuidores do que eles próprios consideravam uma ciência sagrada e da qual faziam mistério para os que, aos seus olhos, eram tidos por profanos. Pelo que conheceis das leis que regem estes fenômenos, deveis compreender que esses indivíduos apenas recebiam algumas verdades esparsas, dentro de um conjunto equívoco e, na maioria dos casos, emblemático. Entretanto, para o estudioso, não há nenhum sistema antigo de filosofia, nenhuma tradição, nenhuma religião, que seja desprezível, pois em tudo há germens de grandes verdades que, se bem pareçam contraditórias entre si, dispersas que se acham em meio de acessórios sem fundamento, facilmente coordenáveis se vos apresentam, graças à explicação que o espiritismo dá de uma imensidade de coisas que até agora se vos afiguraram sem razão alguma e cuja realidade está hoje irrecusavelmente demonstrada. Não desprezeis, portanto, os objetos de estudo que esses materiais oferecem. Ricos eles são de tais objetos e podem contribuir grandemente para vossa instrução”.

Questão [#014] No século IV a bíblia foi traduzida do grego para o latim com a exclusão do assunto sobre a reencarnação, que era uma crença comum e, no século VI o assunto foi considerado pela igreja romana como heresia. Por que motivo isso ocorreu? Qual era o interesse da igreja e esconder o assunto? Seria ignorância ou má fé?

Resposta: Infelizmente para eles, não foi por ignorância do assunto! O problema foi o lastro de liberdade oferecido pela idéia da reencarnação, que suprime todas as barreiras de mediação institucional, livrando-nos do jugo opressor de dogmas como o da condenação eterna. Como já disse, eles tentam esconder, porém nunca condenaram formalmente a reencarnação, salvo algumas lideranças que mais querem saber do que os “pais” da “Santa Madre”. Recomendo novamente o texto sobre a relação da Igreja Católica com a reencarnação, inserido no clássico O Porquê da Vida (FEB), de Léon Denis.

Questão [#015] O livro Analisando as Traduções Bíblicas de autoria de Severino Celestino da Silva, à pg. 144, refere-se a história do II Concílio de Constantinopla, cujo imperador era Justiniano e s/ esposa, Teodora. Favor confirmar a veracidade desses fatos.

Resposta: Não tenho conhecimento a respeito. Quanto à natureza verídica ou hipotética das informações, é da responsabilidade do autor apenas.

Questão [#016] Você entende que a passagem em que é dito que aqueles que precisam primeiro se reconciliar com seu adversário e que devem primeiro deixar sua oferta diante do altar e buscar a reconciliação, fala claramente da reencarnação, quando diz que não sairemos dali (da prisão – a reencarnação) enquanto não pagarmos o último ceitil?

Resposta: Vejamos bem o que Jesus disse: “Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. ” Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil”. (Mateus, 5:25-26.) A reencarnação aparece na possibilidade de sairmos da prisão quando pagarmos o último centavo. A prisão é a consciência de culpa, a responsabilidade assumida perante o adversário. Assim, é melhor conciliarmo-nos enquanto estamos encarnados (no caminho), do que sermos entregues ao juiz (a consciência), ao oficial de justiça (a lei de causa e efeito) e, enfim, sermos lançados na prisão (estado de culpa). Daí somente sairemos reparando as faltas. Nesse ponto, sim, é que surge a reencarnação. E vejamos bem! Para Jesus, ela surge como libertadora, não como aprisionadora!

Questão [#017] O papa Constantino retirou da Biblia partes que falavam da reencarnação. Existe possibilidade de se ter acesso a esse material, ou ficou completamente perdido?

Resposta: Não sei. Parece impossível recuperarmos as informações, caso isso tenha acontecido. A arqueologia, contudo, sempre nos surpreende… Mas se estudarmos o que temos, não haverá dúvidas sobre os precedentes reencarnacionistas da civilização judaico-cristã. Esta é exatamente a premissa da qual eu parto em meu livro já citado. Demoremo-nos sobre o que temos de concreto. Evitaremos muitas polêmicas estéreis.

Questão [#018] Em Jeremias (1:5), está claro a preexistência do Espírito; Em Malaquias (4:5), está prevista a volta do próprio Elias (Profeta, e não “messias”), portanto, a reencarnação do Profeta que viria a ser João Batista. Entretanto, Roustaing nos informa que Elias teria sido Moisés. Gostaria de saber como comprovar tal afirmativa no texto bíblico.

Resposta: O texto evangélico dá conta de que Moisés e Elias apareceram “falando com” Jesus (Mateus, 17:3). Dois espíritos distintos, portanto! Isso de Elias ter sido Moisés reencarnado é só mais um dos muitos absurdos, mais uma das muitas mistificações contidas nos livros roustainguistas.

Questão [#019] Os judeus, na época do Velho Testamento tinham conhecimento da existência da reencarnação, ou só ouviram falar dela pelas alusões indiretas de Jesus?

Resposta: Já vimos que os judeus tinham conhecimento, mesmo que imperfeito, da reencarnação, da idéia de que poderiam voltar a viver, de que poderiam tornar a se levantar do xeol (ressurreição dos mortos: anástasis ek tõn nekrõn), embora esse conhecimento fosse dissimulado numa linguagem iniciática, dirigida a alguns poucos. Jesus supôs que Nicodemos possuísse tal conhecimento, ao dizer: “Tu és mestre em Israel e ignoras estas coisas?”. (João, 3:10.) Será que Nicodemos ignorava o ritual litúrgico batismal, que já era praticado havia milhares de anos? Será que ele ignorava, por outro lado, o seu sentido simbólico de renovação, tão evidente? Ou será que quando Jesus lhe disse que “não pode ver o reino de Deus senão aquele que renascer de novo”, na verdade lhe ensinou a reencarnação, e Nicodemos hesitou?… Não tenho dúvidas de que esta última hipótese corresponde mais perfeitamente ao famoso diálogo constante do capítulo três do Evangelho segundo João.

Questão [#020] O conceito reencarnação, desde o primitivo povo hebreu, e até hoje, não se confundiu com o conceito ressureição? Ressureição dos mortos (ressurgir no plano espiritual) e ressureição da carne (ressurgir no corpo físico). É possível explicar esta questão?

Resposta: Tudo explicado no capítulo “Ressurreição e Reencarnação”, do meu livro já citado. Nas escrituras, ressuscitar implica tornar a viver, no sentido de ressurgir, quer para o plano espiritual, mediante o processo de desencarnação, quer para o plano físico, por meio do processo de reencarnação. Embora essa crença, vulgarmente, incidisse às vezes na volta da alma ou espírito ao corpo atingido pela morte, quem ressuscita de fato é o ser imortal, não o organismo perecível. E tanto assim é que as escrituras falam em ressurreição “dos mortos” (anástasis ek tõn nekrõn), não propriamente em ressurreição “dos corpos” ou “da carne”. Quando Jesus afirma aos materialistas saduceus que “na ressurreição nem se casam nem se dão em casamento, mas são como os anjos no céu”, refere-se à passagem da alma para a vida espiritual, tanto que ele chega a citar os próprios patriarcas como exemplo, dizendo: “Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o dito: ” Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaac, e o Deus de Jacó? Não é o Deus de mortos, mas de vivos”. (Mateus, 22:31-33.) Por outro lado, o povo entendia que Jesus podia ser “um dos antigos profetas, que ressurgiu”, ou “que ressuscitou”, como preferem outras versões. Trata-se aí de ressurgimento na carne de um novo corpo (reencarnação), porque Jesus fora visto criança e conhecida era sua origem, de Nazaré, na Galiléia. Se criam que ele podia ser um dos antigos profetas ressurgido, somente pelo espírito ele o poderia, não pelo corpo (Lucas, 9:18-19.) Neste mesmo sentido, instruiu-nos o autor da epístola aos hebreus: “Mulheres receberam os seus mortos pela ressurreição; alguns foram torturados, porque não queriam aceitar o seu livramento por meio de algum resgate, a fim de que pudessem alcançar uma ressurreição melhor; ” outros, por sua vez, passaram a sua provação por mofas e por açoites, deveras, mais do que isso, por laços e prisões”. (11:35-36.) Não só vemos neste passo que ressurreição era, muitas vezes, reencarnação, como resta claríssimo o conceito de provas e expiações, para que se obtenha, segundo o autor, uma “ressurreição melhor”. No seu pensamento deve isso significar uma estada mais feliz no plano espiritual, depois da purificação obtida pela vinda à Terra em expiação, porque “carne e sangue não podem herdar o reino de Deus”. (1.ª aos Coríntios, 15:50.) Aliás, fica assim patente que quando o mesmo autor escreve que “ao homem está destinado morrer uma só vez, depois disto vindo o juízo” (Hebreus, 9:27), não pode ter em mente negar a reencarnação, sob pena de contradizer-se. Referia-se, portanto, ao corpo, não ao espírito que o anima, até porque este último não morre sequer uma vez.

A Reencarnação na Bíblia

Palestra Virtual
Promovida pelo Canal #Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br

Palestrante:Sérgio Aleixo
Rio de Janeiro
28/02/1998

Organizadores da palestra:

Moderador: “Brab” (nick:|Moderador|)
“Médium digitador”: “jaja” (nick: Sergio_Aleixo)

Oração Inicial:

Pai amantíssimo. Agradecemos pela oportunidade de nos reunirmos com o objetivo de estudo e esclarecimento. Pedimos que boas vibrações envolvam o irmão Sergio, na palestra que se realizará. Pedimos também, que a doce e eterna paz do mestre abrace a todos, em seus lares, e em que condições estiverem. Fique conosco, mestre, para que esse estudo se traduza em ações no nosso dia a dia. Que Deus abençoe a todos. Que assim seja!

Considerações iniciais do palestrante:

A todos, saudações fraternais. Uma das principais objeções à doutrina da reencarnação é, dizem, que ela não consta ensinada na Bíblia. Vejamos como estão errados os que assim pensam. Pela língua e cultura helênicas é que muitos conteúdos da Bíblia e dos Evangelhos chegaram até nós, donde o ser fundamental, para um resgate de muitas idéias e conceitos algo deturpados hoje, o retorno aos manuscritos antigos, ainda que sejam apenas cópias dos originais, provavelmente já extintos. No Brasil, o nome que superou de muito os demais que empreenderam tal demanda ao grego e também ao hebraico, a nosso ver, é o do Prof. Carlos Juliano Torres Pastorino. Docente do Colégio Pedro II e catedrático da Universidade Federal de Brasília; latinista, helenista e exímio poliglota; diplomado em Teologia e Filosofia pelo Colégio Internacional Santo Antônio Maria Zaccaria, em Roma, o Prof. Pastorino nasceu em 4/11/1910, no Rio de Janeiro, e desencarnou em Brasília, aos 13/6/1980, deixando-nos várias obras-primas como “SABEDORIA DO EVANGELHO” (1964-1971, em oito volumes) e “LA REENCARNACIÒN EN EL ANTIGUO TESTAMENTO” (Revista SPIRITVS, 1964, versão castelhana do Prof. Angel Herrera), cujas reedições infelizmente ainda não aconteceram, por questões de ordem familiar. Quis Deus, porém, que tais recursos de elucidação não ficassem estanques, e “estafetas” foram arregimentados no sentido de franqueá-los articulados ao esquema doutrinário do Espiritismo. É o nosso caso. Conta-nos o Prof. Pastorino que são freqüentemente traduzidos por “ressuscitar” os verbos gregos egeírô (estar acordado, despertar) e anístêmi (tornar a ficar de pé, regressar), e que este último, muito especialmente, encerra um sentido em geral negligenciado pelos tradutores: o de reencarnar. Explica-nos o afamado autor de MINUTOS DE SABEDORIA que as Escrituras não falam em “ressurreição dos corpos” ou “da carne”, mas em anástasis ek tõn nekrõn, ou seja, “ressurreiçãodos mortos”. De posse destes esclarecimentos oferecidos por uma autoridade lingüística festejada como a do Prof. Pastorino, tornou-se relativamente fácil para nós outros, estudiosos da Bíblia e do Evangelho à luz do Espiritismo, identificarmos os sentidos negligenciados propositadamente pelos tradutores modernos. É assim que, se a ressurreição é dos mortos e não dos corpos, abstraímos existirem dois sentidos básicos para o “tornar a ficar de pé”, para o “regressar”: quem ressuscita, quem ressurge é o Espírito, quer para o plano espiritual (desencarnando), quer para o plano físico (reencarnando). Da primeira hipótese, a da ressurreição como desencarne, temos, na Codificação, uma instrução do Espírito de Verdade que preceitua com clareza: “a morte é a ressurreição” (O Ev. seg. o Esp., VI:5); isto é, com a morte do corpo, o Espírito liberta-se para o plano espiritual extrafísico. Tal é o sentido das palavras de Jesus: “na ressurreição nem se casam nem se dão em casamento, mas são como os anjos no céu” (Mt 22:30); quer dizer, essa natureza não necessita de reprodução, pois não está submetida à morte; como disse Paulo: “a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus” (1 Cor 15:50). Já da segunda hipótese, a da ressurreição como reencarnação, temos de Allan Kardec a seguinte afirmativa: “A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição” (Ob. cit., IV:4), o que o mestre lionês, perspicaz como somente ele, identificou naquele episódio em que os discípulos dizem a Jesus que o povo pensa ser ele João Batista, Elias, Jeremias, ou algum dos profetas, que “ressurgiu” (Lc 9:18-19), trecho que o Prof. Pastorino, fazendo justiça a este sentido do verbo grego anístêmi, traduziu por “reencarnou” (Sabedoria do Evangelho, 4º volume, p. 41). Realmente, à exceção de João Batista, morto havia pouco tempo, a lógica da reencarnação autorizava a crença do povo, que, em parte, conhecia Jesus desde a infância (Mt 13:55), não podendo senão crer que fora ele um antigo profeta, não pelo corpo, mas pelo Espírito; isto é, reencarnado. Caso se alegue confusão na mentalidade popular, o mesmo não se poderá dizer da crença na reencarnação entre os doutos. Flávio Josefo, historiador judeu (37 -103 d.C.), foi perempto ao definir a profissão de fé dos doutores da lei, os fariseus: “Eles – diz Josefo – julgam que as almas são imortais, que são julgadas em um outro mundo e recompensadas ou castigadas segundo foram neste, viciosas ou virtuosas; que umas são eternamente retidas prisioneiras nessa outra vida e que outras voltam a esta.”(História dos Hebreus, Primeira Parte, Livro Décimo Oitavo, Capítulo Dois). Outra prova da crença na reencarnação com o nome de ressurreição está na Epístola aos Hebreus (11:35-36), onde se lê: “Mulheres receberam os seus mortos pela ressurreição; alguns foram torturados, porque não queriam aceitar o seu livramento por meio de algum resgate, a fim de que pudessem alcançar uma melhor ressurreição; outros, por sua vez, passaram a sua provação por mofas e por açoites, deveras, mais que isso, por laços e prisões. Vemos que “mulheres”, e não homens, “receberam os seus mortos pela ressurreição”, pois elas é que podem gerar em seus ventres os corpos destinados à reencarnação, ao ressurgimento dos Espíritos (“mortos”) para o plano físico. O autor chega mesmo a falar em “livramento”, “resgate” e “provação”, termos que pressupõem a lei de causa e efeito, a preexistência da alma e, por conseguinte, reencarnação. Também a Bíblia Judaica, o chamado Velho Testamento, está cheio de referências à lei dos renascimentos. Os profetas Ezequiel e Jeremias, inspirados em sua mediunidade, desenvolveram brilhantemente a temática da responsabilidade pessoal, negando a dita popular da época, que dizia que os pais comiam uvas verdes e os dentes dos filhos é que se estragavam (Jr 31:29); com isso, pode-se constatar que os profetas repudiam a doutrina deturpada do pecado original, que não era “hereditário”, mas individualmente espiritual, pois “de todo homem que comer uvas verdes os dentes se estragarão” (Jr 31:30); ou, por outra: “o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai a iniqüidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso ficará sobre este” (Ez 18:20). Só a reencarnação dá sentido a tais postulados! Por isso, Allan Kardec identificou a crença vulgar no pecado original como uma espécie de intuição da existência das múltiplas experiências terrestres (A Gênese, XI:46). Podemos, desse modo, melhor entender o que ensinam os próprios Dez Mandamentos: “… eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos, na terceira e quarta geração”: in tertiam et quartam generationem (Vulgata Latina). Como vemos, não está escrito “até à terceira e quarta geração” – o que confrontaria com o ensino dos profetas -, mas “na terceira e quarta geração”(Ex 20:5); isto é, quando já houve tempo suficiente de o Espírito portador da iniqüidade em questão retornar, às vezes na própria descendência corporal, sendo, no caso, o bisneto a reencarnação do bisavô e assim por diante. Portanto, a lei de causa e efeito (a “visita” de Deus) atinge a própria “alma que pecar” (Ez 18:20), e não outrem. Tal o motivo por que, conforme o mandamento, a “visita” de Deus não se dá na primeira e segunda geração, pois animadas por almas diferentes, cuja iniqüidade não está em questão, e que, com freqüência, contemporâneas dos avós, não podem ser destes a reencarnação. Deus não confundiria justiça com vingança. Um dado interessante é que assim como os gregos criam que do hades as almas dos mortos retornavam à vida, o que chamavam de “palingênese” (novo nascimento), os hebreus, igualmente, criam que do sheol os mortos retornavam ao mundo da matéria, o que denominavam anástasis (de anístêmi: tornar a ficar de pé, regressar), expressão traduzida por “ressurreição”. Está escrito: “O Senhor é o que tira a vida e a dá: faz descer ao sheol e faz tornar a subir dele.” (1 Sm 2:6). Embora tentem sufocar a antiga crença reencarnacionista, traduzindo inúmeras vezes “sheol” por “sepultura”, tal intento restará sempre malogrado aos estudiosos atentos. Numa passagem, por exemplo, do profeta Isaías, é descrita a entrada do rei de Babilônia no sheol, onde outros reis “mortos” o reconhecem e dele passam a escarnecer (Is 14:9-16). Tais “mortos” (do hebraico refaim), julgando que a futura descendência babilônica reincidiria nas mesmas faltas de seus antepassados – os quais estavam ali, no sheol -, aconselham seu morticínio: “Por causa da maldade dos pais, promovei a matança dos filhos”. O mais alarmante e revelador, contudo, é a equivocada certeza que os levou ao tétrico aconselhamento: “Não se tornem eles a levantar para submeterem a terra e encherem de cidades a face da terra.” (Is 14:21); ou seja, que os pais(antepassados) não se tornem a levantar, isto é, na pessoa dos filhos, quer dizer, na futura descendência, na qual poderão estar reencarnados. Tanto assim é que muitos tradutores, nas suas deturpadas versões bíblicas, suprimem o verbo auxiliar “tornem”. O sentido da palingênese, expresso no verbo anístêmi (composto de ana: ‘para cima’, ou ‘de novo’, ou ‘para trás’, e ístêmi: ‘estar de pé’), não fica então patenteado; o verdadeiro sentido – isto é, que os Espíritos não tornem a subir, que os pais não tornem a levantar-se do sheol, pela reencarnação em futuras gerações – resta completamente negligenciado. Como vemos, a reencarnação é ensinada pelas Escrituras. Desculpamo-nos pela extensão das considerações iniciais, mas foi necessário a fim de despertar algumas perguntas. (t)

Perguntas/Respostas:

(1) Onde especificamente está mencionada a reencarnação, na Bíblia?

A palavra “reencarnação” não se encontra nas escrituras, mas na cultura judaico-cristã, como mencionamos nas considerações iniciais. Havia o conceito de ressurreição, que, em muitos casos, é justamente o que chamamos hoje de “reencarnação”. Só para citarmos o caso mais inquestionável de reencarnação, lembraríamos da afirmação de Jesus, no capítulo 11, v. 10, do Evangelho segundo São Mateus: “Ele mesmo é o Elias que há de vir”, disse Jesus a respeito de João Batista. Aliás, a referência correta é Mateus, cap. 11, vv. 12 a 15. 🙂 (t)

(2) O Gnosticismo afirmava que a Ressureição deveria ser entendida de modo simbólico. Pregavam a Reencarnação antes de Jesus. Há alguma evidência de que os Apóstolos maiores admitiam a Reencarnação?

Sim. Como citamos nas considerações iniciais, a epístola aos hebreus, em seu capítulo 11, vv. 35 e 36, diz que “mulheres receberam seus mortos pela ressurreição”. Falando ainda sobre resgate, provação e livramento, o que só se pode aplicar a reencarnação. A epístola aos hebreus é tradicionalmente atribuída a Paulo, embora se saiba hoje que é mais provável não ser de sua autoria direta, mas com marcantes influências. (t)

(3) Amigo Sergio, muitos afirmam que se a reencarnação existisse, Jesus teria sido mais claro, não deixaria sob a necessidade de interpretação. Ou seja, teria dito sobre a reencarnação como o faz o Espiritismo. Como você analisa o entendimento destes amigos ?

Aconselho a leitura atenta do Evangelho Segundo São João, no seu capítulo 16, v. 12, onde Jesus, pessoalmente, afirma a seus discípulos: “Teria ainda muitas coisas que vos dizer, mas vós não as podeis suportar agora”. Prova mais que evidente da necessidade de aguardar-se a evolução da humanidade, a fim de que pudesse suportar certos conteúdos que não poderiam ser franqueados ao entendimento limitado da época. (t)

(4) Colocou-se a crença na reencarnação desde antes de Cristo. Mas nos dias atuais, com a mídia que viaja na velocidade estonteante da eletrônica, poderia, a Igreja Católica, com o acesso às informações não somente espíritas mas espiritualistas de todo tipo, além das evidências científicas. Gostaria de saber, Sergio, por que existe uma prevenção tão acirrada à reencarnação?

Seu caráter extremamente subversivo aos preconceitos étnicos, culturais e sociais vigentes, já que o rico de hoje pode ser o pobre de amanhã; o branco de hoje pode ser o negro de amanhã, o “machão” de hoje pode reencarnar num corpo feminino e assim por diante. Também, no que diz respeito aos dogmas tradicionais, que não são articuláveis à reencarnação. O inferno, por exemplo, deixaria de existir na sua consideração habitual para se tornar apenas um estado de consciência, que pode ser superado sem as mediações institucionais humanas. Disse o Mestre: “O Reino de Deus está dentro de vós” – Lucas, 17:21. (t)

(5) Alguns escritores, através da psicografia, afirmam que a Bíblia em algumas passagens é apócrifa?

Não é importante para nós a questão exegética rígida. O mais importante são os conteúdos do que está dito. A espiritualidade que pode nos fecundar a fim de que evoluamos rumo à perfeição. (t)

(6) Amigo, podemos dizer que a humanidade entenderá a reencarnação sem necessariamente se tornar espírita?

Sem dúvida! Vejam os casos de Brian Weiss e Patrick Drouot, que afirmam a reencarnação por bases científicas, sem nunca ter ouvido falar de Kardec, embora lamentemos. Vale lembrar, que o Espiritismo está fundamentado nas leis naturais que transcendem etnia, religião, etc.(t)

(7) na sua opinião, a cúpula sabe e aceita, não é? Só não divulga. Seria uma comoção?

Sem dúvida que a cúpula aceita, pois são estudiosos atentos. O problema é que são políticos. (t)

(8) Você conhece algum movimento da Igreja no sentido de reconhecer a reencarnação como fato inconteste?

O que sabemos é que eles aceitam, na alta teologia, a reencarnação. Não sabemos, porém, se, entre os adeptos, existe movimento nesse sentido, não sabemos. O fato, porém, é que a verdade triunfará. (t)

(9) Sergio, como podemos entender as chamadas pragas “impostas” por Moisés, na tentativa de libertar o povo hebreu da escravidão no Egito? Principalmente a última praga, da morte dos primogênitos?

A despeito de estar fora do tema, acreditamos que boa parte das informações bíblicas e evangélicas, até mesmo, estão revestidas por um discurso mitológico, o que quer dizer que representam lendas, conteúdos do ideário popular sem nenhuma base na realidade. (t)

(10) Qual a colaboração que o Espiritismo tem dado para entendimento da reencarnação ?

Fundamental. O Espiritismo trouxe a reencarnação para a criticidade da cultura ocidental, liberando-a do misticismo oriental. (t)

(11) como entender a passagem da ressurreição de Lázaro, no seu próprio corpo antes decomposto. qual a relação com a reencarnação que a doutrina prega?

O Espiritismo, a princípio, não aceita que Lázaro estivesse de fato morto, ou seja, desencarnado, mas num estado cataléptico ou letárgico. Assim, pelo poder magnético do Mestre, seu refazimento foi possível e o espírito reassumiu as funções orgânicas, não havendo ressurreição propriamente dita, mas cura. (t)

(12) Na Oração do Credo o trecho “… Creio na remissão dos Pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna”. É uma aceitação velada, pela Igreja Católica, da reencarnação?

Sem dúvida! Ainda que necessitemos de uma certa “ginástica” para entendermos assim, pois não é a carne que ressuscita, ressurge, mas sim o espírito. Como, nesse fato, ele volta a revestir-se de matéria carnal, podemos entender o dogma católico no sentido da reencarnação, muito embora eles teimem em uma ressurreição, digamos, “cadavérica”; quando, na verdade, trata-se de um novo corpo assumido segundo a lei imutável da reprodução das espécies, isto é, a reencarnação. (t)

(13) Sergio, o diálogo entre Jesus e Nicodemus não é uma alusão a reencarnação? Fale algo a respeito deste diálogo.

Sem dúvida é uma iniciação ao entendimento reencarnacionista, pois que o Mestre diz: “Necessário vos é renascerdes de novo” e complementa que deve ser um renascimento “de água” e “de espírito”, ou seja, é a retomada da experiência física, cuja constituição é eminentemente líquida. Portanto, o renascer de água (segundo o Prof. Pastorino “de água” e não “da água”) é reencarnar e o renascer de espírito é evoluir, progredir moralmente. (t)

(14) Amigo, teríamos alguma passagem no velho testamento sobre a reencarnação ?

Sem dúvida! Como citamos nas considerações iniciais, nos próprios 10 mandamentos a reencarnação é ensinada. Êxodo, 20:5:”Eu, o senhor, teu Deus, sou Deus zeloso que visito a maldade dos pais nos filhos na terceira e quarta geração”. E não “até” a terceira e quarta geração, como traduzem deturpadamente hoje em dia. A visita de Deus, ou seja, o cumprimento de sua lei se dará na terceira e quarta geração porque o espírito infrator já teve tempo, muitas vezes, de reencarnar na mesma família. Por outra, por que Deus deixaria de lado a primeira e segunda geração? Não há explicação sem a reencarnação. Inclusive, somente assim entendemos o que disse o profeta Ezequiel (18:20):”O filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai a iniqüidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a perversidade do perverso ficará sobre este.” Assim, vemos que o confundir vingança com justiça é algo peculiar ao homem, não a Deus. A alma que pecar é que recebe a correção e não outrem. (t)

(15) O que você aconselha ao espírita, ao lidar com irmãos de outras crenças, no sentido da negação da reencarnação .

Se forem evangélicos, protestantes, enfim, aconselho aos irmãos espíritas que não deixem de argumentar fraternalmente em termos escriturísticos através de um estudo perseverante da Bíblia, já que não adiantará argumentarmos em termos de ciência, pois o paradigma desses companheiros ainda é “vale o que está escrito”. Não teríamos, nós espíritas, argumentos suficientes? Quer nos parecer que os temos de sobra. O que precisamos é estudar. (t)

16) A existência única – dadas as condições atuais de desigualdades que vemos no planeta – seria, na verdade paradoxal em relação a um conceito de Justiça Divina. Você não acha que este é um ponto básico para um debate em nível mais profundo?

Sem dúvida! É o que pretendemos nesta palestra, também. (t)

(17) Em que época – aproximadamente – a reencarnação passou a ser retirada dos textos bíblicos? e por que isso aconteceu?

Na verdade, ela não foi “retirada”. O que tentam é dissimular os conteúdos. Mas, temos referências desde o século II depois de Cristo, do próprio Orígenes, um dos pais da Igreja: “Presentemente, é manifesto que grandes foram os desvios sofridos pelas cópias, quer pelo descuido de certos escribas, quer pela audácia perversa de diversos corretores, quer pelas adições ou supressões arbitrárias.” Portanto, vemos que esta intenção é, de fato, muito antiga, mas restará sempre malograda. (t)

(18) Alguns evangélicos argumentam contra a Reencarnação, citando a parábola do rico e de Lázaro. O que tem a dizer a respeito?

O pai Abraão, na parábola de Jesus, diz que eles tinham Moisés e os profetas. Perguntaríamos aos irmãos que argumentam com esta parábola: Não tinham os apóstolos mais ainda que Moisés e os profetas o próprio Evangelho do Cristo? No entanto, necessitaram da ressurreição do morto mais eminente da nossa cultura. Se não vissem o triunfo do Mestre sobre a morte, teriam sido o que foram? (t)

(19) A dissimulação do conteúdo bíblico referente a reencarnação está no uso da palavra ressurreição?

Em parte, sim! Pois a expressão grega “palinggenesia”, segundo o Prof. Pastorino, era o termo técnico da reencarnação entre os gregos. No entanto, São Jerônimo, geralmente, o traduzia por regeneração. Já a palavra “ressureição” é a tradução da expressão grega “anastasis” originária do verbo “anistemi”, que significa tornar a ficar de pé, mas também “regressar”. Como vemos, tudo é uma questão de resgate dos verdadeiros sentidos das palavras, que assumem significados diversos ao longo dos tempos. Nos cumpre, então, a pesquisa etmológica e, sem dúvida, chegaremos à verdade reencarnacionista. É o que constatamos do trabalho, por exemplo, do Prof. Pastorino.(t)

(20) Pelo que entendi, então, a crença que se enraizou sobre o chamado “pecado original”, nos textos originais referiam-se à reencarnação? De fato, a Bíblia está cheia de “ameaças” aos filhos, que pagariam pelos “pecados” de seus pais… (21) Na realidade, seriam as gerações seguintes em que os mesmos espíritos, já reencarnados, sofreriam as conseqüências de seus atos e não uma transferência de débitos (que aliás seria incompatível com a justiça divina)?

Sem dúvida alguma. É exatamente isso! (t)

(22) Que bibliografia aconselharia para uma leitura mais detalhada do tema?

“A Reencarnação na Bíblia” – Hermínio Miranda; “Cartas a um Sacerdote” – Américo Domingos e Luis Antonio Millecco; “Visão Espírita da Bíblia” e “Revisão do Cristianismo” – José Herculano Pires e, em breve, “Reencarnação: Lei da Bíblia, Lei do Evangelho, Lei de Deus” de…Sergio Aleixo. 🙂 (t)

(23) Tinha o Prof. Pastorino, simpatia pelo Kardecismo, ou suas traduções era de caráter inteiramente técnico?

Ao desencarnar, em 1980, na cidade de Brasília, Pastorino fez questão de deixar registrada cartorialmente sua condição de espírita. No entanto, sua formação é filosófica, lingüística e teológica. Suas traduções eram extremamente técnicas, com citações, inclusive, do hebraico, para quem pudesse lê-las. (t)

Considerações finais do palestrante:

Agradecemos a oportunidade de estarmos aqui, sabe Deus diante de quantos companheiros necessitados de mais do que o esclarecimento, da consolação proporcionada pelo entendimento reencarnacionista da vida. Somos imortais e nosso destino é a felicidade. A reencarnação não foi feita para nos castigar, mas para nos plenificar diante do Pai. Muita paz a todos vocês! (t)

Oração Final:

Senhor Jesus, agradecidos estamos por mais esta oportunidade de estudarmos um pouco mais sobre a reencarnação e todos os ensinamentos que deixou ao nosso alcance. Que fortalecidos em teu Amor possamos prosseguir na execução das tarefas que abraçamos em Tua Seara. Que a Tua Paz se faça presente em nossos corações amparando-nos e envolvendo-nos. Que seja em Teu nome, em nome dos Espíritos amigos que nos auxiliam nas tarefas do meio virtual, mas sobretudo em nome de Deus, que encerramos nossas atividades desta noite. Que assim seja!

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Sumário da Obra
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Prefácio

Prólogo à 3.ª edição

Introdução

PARTE I
Dos Precedentes Fundamentais

Capítulo 1
Lei de causa e efeito

Capítulo 2
Considerações etimológicas

Capítulo 3
Ressurreição e reencarnação

PARTE II
Da Exegese Escriturística

Capítulo 1
Algum dos profetas

Capítulo 2
Ressurreição e resgate

Capítulo 3
Renascer de novo

Capítulo 4
A reencarnação no Decálogo

Capítulo 5
Os gêmeos de Rebeca

Capítulo 6
O erro dos amorreus

Capítulo 7
Tornar a subir do sheol

Capítulo 8
Agronomia espiritual

Capítulo 9
O que é já foi

Capítulo 10
A prova de Jó

Capítulo 11
Cegueira de nascença

Capítulo 12
Não tornes a pecar

Capítulo 13
Nem neste ciclo nem no vindouro

Capítulo 14
Alma e corpo na geena

Capítulo 15
Entrar na vida com um só olho

Capítulo 16
Morrer à espada

Capítulo 17
Vendo não vêem, ouvindo não ouvem

Capítulo 18
Seguir na reencarnação

Capítulo 19
O profeta Daniel e João Evangelista

Capítulo 20
O profeta Elias, João Batista
e Allan Kardec

Capítulo 21
Esta geração não passará

Apêndice
Jesus na visão espírita

Bibliografia

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