A VIDA CONTINUA

Depoimentos Espirituais

Maurício Xavier Vieira, filho do Dr. José Vieira Filho e de Da. Alexandrina Maria Xavier Viera, nasceu em Goiânia/GO, a 14 de dezembro de 1968, tendo desencarnado na mesma cidade aos sete de idade, em conseqüência de queimaduras por acidente. Esta mensagem foi recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, na cidade de Uberaba/MG na noite de 22 de Abril de 1977.

“Minha querida Mãezinha, querido Papai, abençoe-me!

Fiz muitos exercícios para escrever esta carta, mas não sei como agir direito.

Mãezinha e Papai, vocês choraram tanto e me chamaram com tanto amor que, desde minhas melhoras, quero responder. Venho pedir à Mam~es que cria em mim, ela me fala, quase todas as noites:

-Meu filho, se existe outra fica, venha ver sua mãe! Venha ver a falta que você me faz. Fale, meu filhinho, comigo, o que existe e fale depressa para que eu e seu pai consigamos viver.

“Isso, Mãezinha, eu ouço de seu querido coração, em nossa casa da Rua 128, quando há silêncio bastante para receber a presença de nossas lembranças. Estou sempre que posso, desde que comecei a melhorar, lá no número 20, recordando com as suas recordações…

Papai, por que o senhor há de pensar que poderia ter evitado tudo o que aconteceu? Tenha fé em Deus, meu pai querido, e não se culpe por desejar colocar mais conforto em nossa casa feliz. Aquela luz que se apagou e a luz que acendi na vela chegavam de longe.

Aqui, temos mais aulas. Não sei como explicar como os professores daqui explicam, mas fiquei sabendo que todo sofrimento que não provocamos é resultado de sofrimento que não provocamos é resultado de sofrimento que já causamos em outro tempos. Não tenho meios de esclarecer isso, mas, os amigos nossos aqui são muitos e todos me auxiliam, esclarecendo.

Mamãe, quando as queimaduras ficaram profundas, eu não lembrava com segurança o que havia acontecido. Lembro-me que Papai estava assustado, querendo colocar a gente fora de perigo, mas isso para seu filho não seria possível. Mas no hospital, eu queria ver o Papai me tratando, sem saber que ele também estava lutando com os braços feridos. Não sei contar como foi aquela aflição toda de ver que todos perto de mim mostravam rosto triste, até que, num certo momento, que não sei precisar, senti-me aliviado, quase tranqüilo. As feridas das queimaduras ainda doíam, mas eu estava diferente. Eu estava num colo de mãe, tão acolhedor, e me via embalado muito suavemente e com tanto carinho, que eu pensei ter obtido alta e estava em nossa casa, em seu colo.

Chamei por você, Mamãe, com aquela confiança de todo dia, mas o semblante de alguém que não era a senhora, se abeirou de meu rosto e uns lábios de bondade parecendo com os seus me beijaram. “Não tenha medo, meu filho, sou a Vovó Alexandrina em lugar de sua mãe.” Escutei essas palavras sem o menor receio e sem qualquer idéia de morte, e havia lutado tanto com o corpo antigo que me entreguei, de novo, ao descanso.

Acordei numa escola-hospital com os seus e com os chamados de Papai. A senhora sabe quanto devo ter chorado também, mas aquela abençoada protetora que me ensinou a chamá-la pro Vovó Alexandrina me sossegava o coração. Era preciso ser bem comportado, e fiz muita força.

Médicos me assistiram. Estou mais forte. Não Tenho mais a pele ferida e os meus cabelos estão como no trato melhor.

Mamãe, aqui, temos jardins e escolas, parques e flores, muitos diálogos com professores e muita música, mas sentimos muita falta de nossos pais que ficaram no mundo. Tenho companheiros bons, com quem encontro muitas distrações, mas o esquecimento daqueles que amamos não existe. A saudade é uma espécie de ímã no coração. Tenho dias em que meu espírito parece uma peça atraída para a nossa casa, e então sou levado até lá para aliviar-me. Conto isso, mas não é para chorarem. Tudo já passou.

Mamãe, sabe o que tenho pedido a Deus? Tenho pedido para que a fé venha morar em seu coração, como sendo uma estrela no céu, porque o seu carinho é o céu para nós. Não deixe nossa casa triste. Faça nossas músicas, Mamãe. Elas serão preces pela felicidade de seu filho. Seu sorriso e o sorriso de Papai são luzes para mim.

Agora é o momento de parar, mas carta com saudade parece corpo com o coração batendo incessantemente. O coração não pára nem quando se dorme no mundo e a saudade para mim é isto que estou falando: um relógio por dentro que marca tempo constante de nossa ligação e de nosso amor.

Papai, receba um beijão na testa com a alegria de havermos vencido a prova da cola incendiada e você, Mamãe, guarde como sempre, todo o coração de seu filho e seu companheiro de sempre.

Maurício

(Fonte: livro “Enxugando Lágrimas”, Francisco Cândido Xavier/ Dr. Elias Barbosa/Espíritos diversos).

via

Johannes Vermeer "Menina Com Brinco de Pérola" c. 1665-1667, óleo sobre tela.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s