AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO…

Espírito Victor Hugo

O Cristianismo, fundamentado no conceito sublime do “amar ao próximo como a si mesmo”, abriu as primeiras portas da compaixão e da misericórdia aos portadores de lepra, nos dias difíceis dos séculos passados. Proliferaram, assim, os lazaretos,onde cada recém-chegado era considerado como “se fosse o próprio Cristo que ali se hospedava”, passando a receber a caridade da assistência e o socorro do amor fraterno. Muito deve a Humanidade a esses primeiros hospitais, se levarmos em consideração a época de ignorância e promiscuidade, de imundície e indiferença humana, em que se multiplicaram.

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Se o passado é nossa sombra de dor, o futuro significa a nossa primavera de bênçãos, conforme o presente ao nosso alcance. As trevas cedem ante a luz, e o sofrimento desaparece em face à alegria da esperança e ao consolo da consciência em tranqüilidade. Ninguém paga além do débito a que se vincula. O amor, porém, é o permanente haver, em clima de compensação de todas as desgraças quer por acaso hajamos semeado, recompensando-nos o espírito pelo que fizermos em nome do bem e realizarmos em prol de nós mesmos.

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Não receies, nem temas, nunca! O pântano desprezível é desafio ao nosso esforço para mudar-lhe o aspecto, e a aridez do deserto é incitação à nossa capacidade de transformá-la em jardim de esperanças e em pomar de bênçãos…Imprescindível começar agora a nossa obra de aprimoramento interior, enquanto surge a oportunidade favorável. Amanhã, talvez seja tarde demais, e o minuto valioso já se terá esvaído na ampulheta do tempo. Cada coração é nosso momento de produzir. Cada sofrimento é a nossa quota de reparação. O adversário significa o solo a trabalhar, esperando por nós, enquanto o amigo é dádiva de que nos devemos utilizar com respeito e elevação.

De Divaldo P. Franco em “Sublime Expiação”

via

Michael John Angel "Melissa", óleo sobre tela, 80 x 60 cm.

É PRECISO NASCER DE NOVO

 


     As dimensões tempo e espaço constituem limites para demarcar estágios e situações para a mente, nas faixas experimentais da evolução. À medida, porém, que o espírito progride, se lhe ampliam tais conceituações, e ele adquire incalculáveis percepções de infinito e eternidade, superando as linhas de que necessita para localizar e localizar-se.

     Pelas imposições reencarnatórias, todo ultraje que se comete se há de resgatar, embora não necessariamente numa reencarnação imediata ou muito próxima, após o gravame cometido.

     O atentado à Lei se insculpe no espírito, sensibilizando-lhe o perispírito, ou psicossoma, na direção da sede da alma, e dali repercutindo, através dos tecidos sutis da estrutura espiritual, no próprio corpo somático. Dia surge no qual irrompe, sob a forma de limitação orgânica ou deformidade teratogênica, distonia emocional ou paroxismo nervoso, ulceração maligna ou câncer traiçoeiro, ou então mediante estranhas constrições morais, amargas conjunturas ou restrições sociais, financeiras, sexuais ou familiares, pelas quais a iniludível justiça da vida alcança os seus defraudadores.

     Com invulgar licitude asseverou Jesus a necessidade de “nascer de novo”, a fim de que se paguem as dívidas inteiras, moeda a moeda, até que, liberado, o devedor alcance o reino dos céus, que implantará, através da autopurificação, na própria consciência.

     Pode dar-se o resgate reequilibrador na etapa seguinte, ou ocorrer em escalada futura, mas ninguém ludibriará a justiça.

     Num avatar, o espírito, se erra, também pode descartar-se de mazelas outras, adquirindo valiosas experiências, que armazena para momento próprio, registrando-as em seu mapa evolutivo.

     Numa encarnação adquire-se determinada expressão de vitória, não obstante os equívocos que se perpetre. Somadas as realizações dignificantes e subtraídas as dívidas, transfere-se o saldo, positivo ou não, das conquistas pessoais.

     Transladam-se de uma para outra vida realizações e problemas, aquisições e perdas, que ressumam oportunamente, quando se fazem favoráveis as circunstâncias, do que decorre o adágio, segundo o qual “Deus não concede fardo superior às forças de quem o carrega”.

     Como conseqüência, a qualidade da vida resulta das múltiplas operações que o ser se impõe, caindo agora, levantando-se depois, sobraçando sempre um saldo, que o favorece ou não com recursos para a final redenção.

     Através de provações abençoadas e expiações libertadoras, a Divina Sabedoria nos conduz ao compromisso de ascender e progredir, nas dimensões da Imortalidade.

(Espírito de Victor Hugo – OBRA: Sublime Expiação – Médium: Divaldo Pereira Franco)

 

Eugene de Blaas
Eugene de Blaas "Boas Criaturas" (1877) 100,2 x 76 cm óleo s/tela

O Alcoolismo

Victor Hugo

Sem nos determos no exame dos fatores sócio-psicológicos causais do alcoolismo generalizado, de duas ordens são as engrenagens que o desencadeiam,- observado o problema do ponto de vista espiritual.

Antigos viciados e dependentes do álcool, em desencarnando não se liberam do hábito, antes sofrendo-lhe mais rude imposição.

Prosseguindo a vida, embora a ausência do corpo, os vícios continuam vigorosos, jungindo os que a eles se aferraram a uma necessidade enlouquecedora. Atônitos e sedentos, alcoólatras desencarnados se vinculam às mentes irresponsáveis, de que se utilizam para dar larga à continuação do falso prazer, empurrando-os, a pouco e pouco, do aperitivo tido como inocente ao lamentável estado de embriaguez. Os que lhes caem nas malhas, tomam-se, por isso mesmo, verdadeiros recipientes por meio dos quais absorvem os vapores deletérios, caindo, também, em total desequilíbrio, até quando a morte advém à vítima, ou as Soberanas Leis os recambiam à matéria, que padecerá das dolorosas injunções constritoras que lhe impõe o corpo perispiritual…

Normalmente, quando reencarnados, os antigos viciados recomeçam a atividade mórbida, servindo, a seu turno, de instrumento do gozo infeliz, para os que se demoram na Erraticidade inferior…

Outras vezes,. os adversários espirituais, na execução de uma programática de desforço pelo ódio, induzem os seus antigos desafetos à iniciação alcoólica, mediante pequenas doses, com as quais no transcurso do tempo os conduzem à obsessão, desorganizando-lhes a aparelhagem físio-psíquica e dominando-os totalmente.

No estado de alcoolismo faz-se muito difícil a recomposição do paciente, dele exigindo um esforço muito grande para a recuperação da sanidade.

Não se afastando a causa espiritual, torna-se menos provável a libertação, desde que, cessados os efeitos de quaisquer terapêuticas acadêmicas, a influência psíquica se manifesta, insidiosa, repetindo-se a lamentável façanha destruidora…

A obsessão, através do alcoolismo, é mais generalizada do que parece.

Num contexto social permissivo, o vício da ingestão de alcoólicos torna-se expressão de status, atestando a decadência de um período histórico que passa lento e doído.

Pelos idos de 1851, porque enxameassem os problemas derivados da alcoolofilia, Magno Huss realizou, por vez primeira, um estudo acurado da questão, promovendo um levantamento dos danos causados no indivíduo e alertando as autoridades para as conseqüências que produz na sociedade.

Os que tombam na urdi dura alcoólica, justificam-lhe o estranho prazer, que de início lhes aguça a inteligência, faculta-lhes sensações agradáveis, liberando-os dos traumas e receios, sem se darem conta de que tal estado é fruto das excitações produzidas no aparelho circulatório, respiratório com elevação da temperatura para, logo mais;. produzir o nublar da lucidez, a alucinação, o desaparecimento do equilíbrio normal dos movimentos…

Inevitavelmente, o viciado sofre uma congestão cerebral intensa ou experimenta os dolorosos estados convulsivos, que se tornam perfeitos delírios epilépticos, dando margem a distúrbios outros: digestivos, circulatórios, nervosos que podem produzir lesões irreversíveis, graves.

A dependência e continuidade do vício conduz ao delirium tremens, resultante da cronicidade do alcoolismo, gerando psicoses, alucinações várias que culminam no suicídio, no homicídio, na loucura irrecuperável.

Mesmo em tal caso, a constrição obsessiva segue o seu curso lamentável, já que, não obstante destrambelhadas as aparelhagens do corpo, o espírito encarnado continua a ser dominado pelos seus algozes impenitentes em justas de difícil narração…

Além dos danos sociais que o alcoolismo produz, engendrando a perturbação da ordem, a queda da natalidade, a incidência de crimes vários, a decadência econômica e moral, é enfermidade espiritual que o vero Cristianismo erradicará da Terra, quando a moral evangélica legítima substituir a débil moral social, conveniente e torpe.

Ao Espiritismo cumpre o dever de realizar a psicoterapia valiosa junto a tais enfermos e, principalmente, a medida preventiva pelos ensinos corretos de como viver-se em atitude consentânea com as diretrizes da Vida Maior.

Livro:Calvário de Libertação. Psicografia de Divaldo P. Franco