DOMINAR A LÍNGUA

Emmanuel

Dominas o fogo, escravizando-o à lide caseira.
Burilas a pedra, arrancando-lhe obras primas.
Conquistas os metais, neles plasmando complicadas expressões de serviço.
Amansas os animais ferozes, deles fazendo cooperadores na economia doméstica.
Disciplinas o vapor e o combustível, anulando as distâncias.
Diriges tratores pesados, transfigurando a face da gleba.
Submetes a eletricidade, e glorificas a civilização.
Retiras o veneno de serpentes temíveis, fabricando remédios.
Senhoreias a energia nuclear, e começas alterar, com ela, a fisionomia do mundo.
Controlas a velocidade, e inicias excursão para além do Planeta.
Entretanto, ai de nós! Todos trazemos leve músculo selvagem, muito distante da educação.
Com ele, forjamos guerra.
Libertamos instintos inferiores.
Destruímos lares.
Empestamos vidas alheias.
Envilecemos o caminho dos outros.
Corrompemos o próximo.
Revolvemos o lixo mortal da Terra.
Veiculamos o pessimismo.
Criamos infinitos problemas.
Injuriamos.
Criticamos.
Caluniamos.
Deprimimos.
Esse órgão minúsculo é a língua – lâmina pequenina, embainhada na boca.
Instrumento sublime, feito para louvar e instruir, ajudar e incentivar o bem, quantas vezes nos valemos dela para censurar e vergastar, perturbar e ferir!….
Governemo-la, pois, transformando-a em leme de paz e amor, no barco de nossas vidas! E, alicerçados nas lições do Evangelho, roguemos a Deus nos inspire sempre a dizer isso ou aquilo como o próprio Jesus desejaria ter dito.

Psicografia de Francisco Cândido Xavier

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William Adolph Bouguereau, "Moça com Luva", 1870, óleo s/tela.
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“Amor”

Joanna de Ângelis

O amor é de essência divina, porque procede de Deus e vitaliza o universo, sustentando a vida em todos os seus aspectos.
Em tudo se encontra pulsante, como manifestação do Divino Psiquismo.
Em todos os reinos é de fundamental significação, especialmente no ser humano, sem o qual a existência se torna destituída de sentido psicológico e desaparece, desarticulando os objetivos essenciais da Vida.
Amar é desafio que todos devem enfrentar com alegria, pois que, somente ele equaciona as dificuldades existenciais, ampliando os objetivos da inteligência e dos sentimentos.
Quem ama, conduz Deus no imo, irradiando-O em forma de bençãos que a tudo transforma e dignifica.
Divaldo Franco

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William Adolph Bouguereau, "O Amor e Psyche , crianças", 1889, óleo sobre tela, 71 x 119,5 cm.

Discussões

Hora de aborrecimento ou desagrado – tempo de silêncio e de oração.

Esclarecer, analisar, observar, anotar, mas toda vez que o azedume apareça, mesmo de longe, deixar a conversação ou o entendimento para depois.

Discutir, no sentido de questionar ou contentar, é o mesmo que atirar querosene à fogueira.

Sempre que nos adentramos na irritação, a tomada de nosso pensamento se liga, de imediato, para as áreas da perturbação ou da sombra. Então, a palavra se nos debita na conta do arrependimento, porque fàcilmente exageramos impressões, esposamos falsos julgamentos, provocamos reações negativas ou magoamos alguém sem querer. E o pior ele tudo isso é que as rupturas nas relações harmoniosas do lar ou do grupo fraterno principiam de bagatelas semelhantes às brechas diminutas pelas quais se esbarrondam vigorosas represas, criando as calamidades da inundação.

Saibamos tolerar os dissabores e contratempos da vida, arredando-os do cotidiano, como quem alimpa um campo minado.

Aceitemos a reclamação alheia, paguemos o prejuízo que nos seja possível resgatar sem maior sacrifício e esqueçamos a frase impensada ou o gesto de desconsideração tantas vezes involuntários com que nos hajam ferido.

Nunca valorizar ocorrências desagradáveis ou futilidades que pretendam tisnar-nos o otimismo.

Há quem diga que da discussão nasce a luz. É provável seja ela, em muitos casos, um fator de discernimento, quando manejada por espíritos de elevada compreensão”; no entanto, em muitos outros, nada mais faz que apoiar a discórdia e apagar a luz.

Xavier, Francisco Cândido. Do Livro: Alma e Coração.  Ditado pelo Espírito Emmanuel

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William Adolph Bouguereau, Andando a Cavalo, 1884, 137,0 x 101,5 cm, óleo s/tela.

O Passe

“Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e
levou as nossas doenças” – Mateus, 8:17

Meu amigo, o passe é transmissão de energias fisio-psíquicas, operação de boa vontade, dentro da qual o companheiro do bem cede de si mesmo em teu benefício.

Se a moléstia, tristeza e amargura são remanescentes de nossas imperfeições, enganos e excessos, importa considerar que, no serviço do passe, as tuas melhoras resultam da troca de elementos vivos e atuantes.

Trazes detritos e aflições e alguém te confere recursos novos e bálsamos reconfortantes.

No clima da prova e da angústia, és portador da necessidade e do sofrimento.

Na esfera da prece e do amor, um amigo se converte no instrumento da Infinita Bondade, para que recebas remédio e assistência.

Ajuda o trabalho de socorro a ti mesmo com o esforço da limpeza interna.

Esquece os males que te apoquentam, desculpa as ofensas de criaturas que não te compreendem, foge ao desânimo destrutivo e enche-te de simpatia e entendimento para com todos que te cercam.

O mal é sempre a ignorância e a ignorância reclama perdão e auxílio para que se desfaça, em favor da nossa própria tranqüilidade.

Se pretendes, pois, guardar as vantagens do passe que, em substância, é ato sublime de fraternidade cristã, purifica o sentimento e o raciocínio, o coração e o cérebro.

Ninguém deita alimento indispensável em vaso impuro.

Não abuse, sobretudo, daqueles que te auxiliam.

Não tomes o lugar do verdadeiro necessitado, tão só porque os teus caprichos e melindres pessoais estejam feridos.

O passe exprime também o gasto de forças e não deves provocar o dispêndio de energias do Alto, com infantilidades e ninharias.

Se necessitas de semelhante intervenção, recolhe-te à boa vontade, centraliza a tua expectativa nas fontes celestes do suprimento divino, humilha-te, conservando a receptividade edificante, inflama o teu coração na confiança positiva e, recordando que alguém vai arcar com o peso de tuas aflições, retifica o teu caminho, considerando igualmente o sacrifício incessante de Jesus por nós todos, porque, de conformidade com as letras sagradas “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças”.

Xavier, Francisco Cândido. Ditado pelo Espírito Emmanuel.

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William Adolph Bouguereau, "O BANHO", 1879, óleo sobre tela.

Perante o Corpo

Cultivar a higiene pessoal, sustentando o instrumento físico qual se ele fosse viver eternamente, preservando-se, assim, contra o suicídio indireto.

O corpo é o primeiro empréstimo recebido pelo Espírito trazido à carne.

Precatar-se contra tóxicos, narcóticos, alcoólicos, e contra o uso demasiado de drogas que viciem a composição fisiológica natural do organismo.

Existem venenos que agem gota a gota.

Conduzir-se de modo a não exceder-se em atitudes superiores à própria resistência, nem confiar-se a intempestivas manifestações emocionais, que criam calamitosas depressões.

O abuso das energias corpóreas também provoca suicídio lento.

Distinguir no sexo a sede de energias superiores que o Criador concede à criatura para equilibrar-lhe as atividades, sentindo-se no dever de resguardá-la contra os desvios suscetíveis de corrompê-la.

O sexo é uma fonte de bênçãos renovadoras do corpo e da alma.

Fugir de alimentar-se em excesso e evitar a ingestão sistemática de condimentos e excitantes, buscando tomar as refeições com calma e serenidade.

Grande número de criaturas humanas deixa prematuramente o Plano Terrestre pelos erros do estômago.

Sempre que lhe seja possível, respirar o ar livre, tomar banhos de água pura e receber o sol farto, vestindo-se com decência e limpeza, sem, contudo, prender-se à adoração do próprio corpo.

Critério e moderação garantem o equilíbrio e o bem-estar.

Por motivo algum, desprezar o vaso corpóreo de que dispõe, por mais torturado que ele seja.

Na Terra, cada Espírito recebe o corpo de que precisa.

“Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” – Paulo. (I Coríntios, 6:20.)

Waldo Vieira. Da obra: Conduta Espírita. Ditado pelo Espírito André Luiz.

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William Adolph Bouguereau "MULHER COM MARISCO", 1885, óleo sobre tela